Oposição adia decisão sobre PDM de Braga para janeiro de 2026

Tomada de posse João Rodrigues como presidente da Câara Municipal de Braga 03 de Novembro de 2025

Terceira revisão do Plano Diretor Municipal foi chumbada em reunião de Câmara; PS, Amar e Servir Braga e Iniciativa Liberal apontam falta de esclarecimentos e fragilidades no documento

A proposta final da terceira revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Braga foi chumbada esta segunda-feira em reunião do executivo municipal, ficando a decisão definitiva adiada para janeiro de 2026, por iniciativa dos vereadores da oposição.

Votação insuficiente para aprovação

Os votos favoráveis da coligação Juntos por Braga, da vereadora independente Catarina Miranda e do Chega não foram suficientes para viabilizar o documento. A proposta foi rejeitada com os votos contra do movimento independente Amar e Servir Braga, do Partido Socialista e da Iniciativa Liberal, que anunciaram que só irão decidir o seu sentido de voto no início de 2026.

Oposição critica falta de diálogo

Em comunicado conjunto, as três forças políticas da oposição explicam que, após terem conhecimento de que o PDM apenas seria aprovado no primeiro trimestre de 2026, solicitaram a realização de sessões de esclarecimento sobre o documento, de forma a disporem de tempo para “analisar e trabalhar” a proposta até essa data.

Segundo os vereadores, foram sugeridas seis datas para essas sessões, sem que tivesse havido resposta do presidente da Câmara. Acusam o autarca de ter imposto unilateralmente uma data, apesar de ter sido alertado de que nenhum vereador da oposição poderia estar presente.

Face a esta situação, PS, Amar e Servir Braga e Iniciativa Liberal convocaram uma reunião extraordinária de Câmara, com ponto único dedicado ao PDM, para o dia 12 de janeiro de 2026. Contudo, afirmam que, após essa convocatória, o presidente da Câmara decidiu incluir o PDM na ordem de trabalhos da reunião de 22 de dezembro, fazendo chegar a documentação final apenas quatro dias antes.

Diferenças entre números anunciados e documentos oficiais

A oposição refere que, apesar do curto prazo, uma análise preliminar aos documentos oficiais permitiu identificar discrepâncias relevantes face à informação pública divulgada. Em particular, sublinham que a área de solo urbano aumenta apenas 3,84% e não 30%, como teria sido anunciado, correspondendo a mais 275,60 hectares para construção e não a cerca de mil hectares, como referido anteriormente pelo presidente da Câmara.

Apontam ainda como uma das principais alterações a proibição de construção de habitação em solos agrícolas, algo que atualmente é permitido. Esta mudança, alertam, impede a construção de segundas habitações em terrenos agrícolas e inviabiliza que proprietários desses terrenos possam ali edificar a sua própria casa.

Críticas à mobilidade e às infraestruturas futuras

Os vereadores do Amar e Servir Braga, do PS e da Iniciativa Liberal criticam igualmente o PDM ao nível da mobilidade, considerando que não estão salvaguardadas infraestruturas viárias interconcelhias previstas no Plano Ferroviário Nacional, nem reservas de canal para infraestruturas futuras.

Referem ainda a ausência de solo urbano destinado a equipamentos estruturantes ao longo da futura linha ferroviária de alta velocidade.

Riscos ambientais e fragilidades jurídicas

Outro ponto levantado prende-se com o desaparecimento de referências a riscos de cheias e inundações em zonas conhecidas da cidade, como o túnel do Meliã, a rotunda das piscinas e a Ribeira de São Victor, áreas onde edifícios e equipamentos comerciais recorrem a sistemas de bombagem para mitigar esses riscos.

A oposição aponta ainda a existência de fragilidades jurídicas no relatório de ponderação, alertando para um eventual vício procedimental, designadamente por violação do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT), do direito à participação pública consagrado na Constituição, bem como para um défice de fundamentação.

Expectativa de esclarecimentos antes de nova votação

Os vereadores do PS, do Amar e Servir Braga e da Iniciativa Liberal dizem esperar que, até à reunião extraordinária marcada para 12 de janeiro de 2026, sejam promovidas sessões de esclarecimento adequadas, abertas não só aos vereadores, mas também aos membros da Assembleia Municipal e aos presidentes de junta.

Defendem que essas sessões devem ser marcadas em datas negociadas e não impostas, permitindo a presença de todos os intervenientes e um esclarecimento completo de um dossiê que consideram decisivo para o futuro do concelho.

“Mais informação, mais diálogo, mais exigência e escrutínio resultam sempre em melhores políticas públicas ao serviço dos cidadãos”, concluem, afirmando que esse é o caminho que permitirá, em breve, viabilizar o PDM na Câmara e na Assembleia Municipal.