A última reunião do executivo municipal de Braga ficou marcada por um intenso braço de ferro político em torno da fatura da água, acabando a proposta por ser retirada após chumbo da oposição. Em paralelo, avançaram já este mês a descida de 14% nos passes dos Transportes Urbanos de Braga (TUB) e a nova reorganização interna da autarquia
O braço de ferro na fatura da água
A proposta de atualização dos tarifários da AGERE para 2026 previa um aumento na ordem dos 7%, justificando-se com a atualização contratual e com valores que ficaram congelados em 2025.
A polémica instalou-se quando Alexandra Roeger, administradora da empresa municipal com capital privado, admitiu que a subida resulta do contrato de gestão delegada, mas confirmou que, em 2025, houve “orientações políticas” para não mexer nos preços — uma decisão assumida como “opção política” em ano eleitoral.
Oposição unida nas críticas
O vereador Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, questionou a dependência dos tarifários face aos ciclos eleitorais:
“Qualquer um de nós pode presumir que isso foi feito porque havia eleições autárquicas. O ponto fundamental é saber se os tarifários de um serviço devem estar dependentes de ciclos políticos.”
Pelo Partido Socialista, Pedro Sousa criticou o que considerou um adiamento “eleitoralista” que penaliza agora as famílias.
Já Filipe Aguiar, do Chega, classificou a subida como “insustentável”, acusando o executivo de fazer pagar “a dobrar” aos bracarenses.
Também Ricardo Silva, do movimento Amar e Servir Braga (ASB), rejeitou a proposta por falta de diferenciação para famílias numerosas e IPSS, considerando que a explicação sobre 2025 “diz tudo”.
Presidente anula votação e remete responsabilidades
Confrontado com as críticas, o presidente da Câmara, João Rodrigues, remeteu as decisões de 2025 para o seu antecessor, Ricardo Rio, rejeitando qualquer benefício eleitoral próprio.
Apesar do chumbo inicial, João Rodrigues alertou que os aumentos decorrem de um contrato de gestão delegada e que o incumprimento poderia ter consequências junto da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos.
Perante o risco legal, o presidente optou por anular a votação, permitindo que a proposta transite para a próxima reunião do executivo.
Passes dos TUB descem 14%
Em contraste com a polémica da água, a redução de 14% nos passes dos Transportes Urbanos de Braga foi confirmada, representando um alívio direto para os utilizadores do transporte público já este mês.
Nova orgânica municipal avança
A reunião ficou ainda marcada pelo avanço da nova reorganização dos serviços da autarquia, num processo que visa ajustar a estrutura interna às atuais exigências de gestão municipal.
Entre polémicas tarifárias e medidas de impacto imediato, a sessão evidenciou um executivo sob pressão política, com a fatura da água a prometer novo confronto na próxima reunião.
































