𝗘studantes de Medicina alinham com Ordem e apontam falhas no novo curso da UTAD

Vila Real,20/09/2019 - Retrato a Morena Morgan Motaung, estudante sul-africano que estuda em Portugal, na UTAD. (Rui Manuel Ferreira / Global Imagens)

Associação Nacional de Estudantes de Medicina alerta para instabilidade e insuficiências estruturais antes do arranque previsto para 2026/2027

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina manifestou concordância com a posição da Ordem dos Médicos quanto à falta de condições para o arranque do novo curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, previsto para o ano letivo 2026/2027.

A posição surge após a Ordem ter identificado “um conjunto de insuficiências que suscitam sérias reservas” relativamente à implementação do ciclo de estudos, apesar de este já ter sido acreditado com condições pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior e de terem sido autorizadas 40 vagas no próximo concurso nacional de acesso.

Instabilidade e falta de diferenciação preocupam estudantes

Em declarações à Lusa, a presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, Maria Fontão, sublinhou que a atual instabilidade institucional da UTAD — marcada por um processo eleitoral prolongado — levanta dúvidas quanto à capacidade de garantir condições adequadas para o início do curso.

Outra das preocupações prende-se com a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro, considerada uma estrutura “menos diferenciada”, o que poderá limitar a formação clínica dos futuros médicos.

Apesar disso, a responsável reconhece que há evidência internacional que associa a realização de estágios em regiões do interior à fixação de profissionais nesses territórios, mas ressalva que a formação médica deve preparar os estudantes para qualquer contexto.

Ordem dos Médicos pede avaliação rigorosa

Também a Ordem dos Médicos aponta fragilidades no projeto, nomeadamente ao nível da consolidação do modelo pedagógico e da falta de envolvimento estruturado e atempado dos profissionais de saúde da ULS local.

No comunicado divulgado, o bastonário Carlos Cortes defende que “a formação médica exige padrões elevados e condições plenamente asseguradas desde o primeiro dia”, alertando que o curso não deve arrancar com fragilidades estruturais.

A Ordem solicitou entretanto uma reunião urgente com a universidade, com o objetivo de avaliar de forma rigorosa as insuficiências identificadas e definir as condições necessárias para garantir um desenvolvimento “sólido, credível e sustentável” do curso.

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