Morreu um homem “moderado” cuja carreira política foi destruída pela Justiça
Miguel Macedo, ex-ministro e dirigente social-democrata, faleceu esta quinta-feira, aos 65 anos, vítima de um ataque cardíaco. Amigos e colegas recordam-no como um político que poderia ter ido mais longe, mas cuja carreira foi marcada pelo caso dos Vistos Gold, num processo judicial que foi posteriormente arquivado.
No sábado, Miguel Macedo marcou presença na assembleia distrital do PSD de Braga, onde deixou uma mensagem sobre a realidade política atual e a forma como a vida das pessoas é muitas vezes analisada sem cuidado. Para Paulo Cunha, presidente da distrital, este foi um momento simbólico, um regresso importante para alguém que tinha sofrido com as acusações que enfrentou.
Uma carreira interrompida por um processo judicial mediático
Com um percurso que passou pelos governos de Cavaco Silva, Durão Barroso e Passos Coelho, Miguel Macedo foi um dos rostos do PSD ao longo das décadas. No entanto, a sua carreira foi abruptamente travada quando foi acusado no caso dos Vistos Gold, um processo que, segundo Pacheco Pereira, “destruiu a sua trajetória política” sem fundamento.
Apesar da sua reserva em relação ao assunto, Macedo nunca se vitimizou, mas a acusação acabou por afastá-lo da política ativa. Em 2024, aceitou integrar o painel de comentadores do programa Princípio da Incerteza, da CNN Portugal, onde se destacou pela sua preparação técnica e moderação nas análises políticas.
Família e FC Porto: as paixões de Miguel Macedo
Natural de Braga, Miguel Macedo esteve ligado ao PSD desde a juventude, formando amizades políticas duradouras. Fora da política, era um pai orgulhoso, sempre a falar da sua filha, e um apaixonado pelo FC Porto e pelo futebol.
Miguel Relvas recorda-o como um homem conciliador e justo, que sofreu muito com as acusações que enfrentou. Para Luís Marques Mendes, a sua morte foi um “choque”, destacando-o como um “homem bom”, que deu tudo ao país e era uma pessoa de grande caráter.
O sonho por concretizar: ser presidente da Câmara de Braga
Apesar de ter ocupado vários cargos de relevo no governo e no partido, Miguel Macedo sempre teve o sonho de liderar a Câmara de Braga, algo que nunca chegou a concretizar. No entanto, é lembrado como um bom deputado, líder parlamentar e ministro, deixando uma marca na política portuguesa.
A sua morte encerra a trajetória de um homem que, apesar de ter sido travado por um processo judicial injusto, será lembrado pelo seu caráter íntegro e pelo impacto que teve na política nacional.
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