Uma funcionária da Câmara Municipal de Braga, Ana Silva, está acusada de dois crimes de tráfico de influência por alegadamente ter pedido dinheiro a duas colegas em troca de favores em concursos públicos da autarquia.

Segundo a acusação do Ministério Público, a arguida, assistente operacional, prometia “ajudar” candidatas a concursos da câmara a conseguirem lugar, mediante pagamentos em numerário.

O caso dos 400 euros

Em maio de 2020, Ana Silva terá pedido 400 euros num envelope, juntamente com os dados pessoais da filha de uma colega, que concorria ao cargo de assistente operacional. A mãe entregou o envelope, mas a filha acabou por ser excluída do concurso, por ter obtido apenas 13 valores na prova de conhecimentos.

Confrontada com a situação, a arguida terá dito que “estava tudo tratado” e que os candidatos com melhores classificações não seriam selecionados por serem licenciados.

O caso acabou denunciado ao Departamento de Recursos Humanos da autarquia, onde Ana Silva admitiu ter recebido o dinheiro.

O pedido dos 300 euros

Já em abril de 2020, a funcionária terá abordado outra conhecida, cuja filha também concorria a um lugar na câmara. Nessa ocasião, pediu 300 euros num envelope, alegando que o montante serviria para entregar a “quem tinha a lista”.

A arguida chegou a garantir que “o lugar já era da jovem” e que a entrevista seria “só para fingir”. No entanto, o envelope nunca chegou a ser entregue, e também este caso foi denunciado.

Despedimento e julgamento

Perante as denúncias, a Câmara de Braga abriu um processo disciplinar interno que culminou no despedimento de Ana Silva.

O Ministério Público acusa agora a ex-funcionária e a mãe da primeira candidata de tráfico de influência, estando ambas a aguardar julgamento.