Sporting ‘congela’ o Dragão nos descontos e arranca empate ao FC Porto

Golo de Luís Suárez aos 90+10’, após penálti defendido por Diogo Costa, fixa 1-1 num Clássico marcado por polémica e emoção até ao fim

FC Porto e Sporting empataram (1-1), na noite desta segunda-feira, no Estádio do Dragão, em jogo da 21.ª jornada da I Liga, num Clássico decidido já para lá do tempo regulamentar.

O estreante Seko Fofana colocou os dragões em vantagem aos 77 minutos, mas Luís Suárez, já nos 90+10’, converteu a recarga de uma grande penalidade inicialmente defendida por Diogo Costa, garantindo um ponto precioso para os leões.

Apesar do empate, o FC Porto mantém-se na liderança, agora com 56 pontos, mais quatro do que o Sporting e mais sete do que o Benfica, terceiro classificado.

Primeira parte intensa, mas pobre em oportunidades

Num Dragão marcado pela chuva e por um ambiente fervoroso, o Sporting entrou melhor e assumiu o controlo nos minutos iniciais, ainda que sem criar perigo real. O equilíbrio rapidamente se instalou e o jogo tornou-se mais partido, com sucessivas transições, mas sem eficácia ofensiva.

O primeiro momento de tensão surgiu aos 17 minutos, quando Pepê caiu na área leonina após um lance com Maxi Araújo, mas o árbitro Luís Godinho mandou seguir. Aos 20’, Alan Varela protagonizou o primeiro remate da partida, sem sucesso.

O encontro acabou por ser interrompido aos 33 minutos, depois de adeptos dos Super Dragões terem lançado tochas para o relvado, criando uma nuvem de fumo que obrigou à paragem do jogo durante cerca de três minutos.

Até ao intervalo, destaque ainda para as queixas físicas de Samu, que acabou por aguentar até ao descanso. O nulo persistiu ao fim dos primeiros 45 minutos, num jogo intenso, mas sem ocasiões flagrantes.

Segunda parte com mais emoção… e polémica

A segunda metade arrancou com maior iniciativa do Sporting, sobretudo pelo corredor direito, mas continuaram a faltar oportunidades claras. Aos 62 minutos, o FC Porto voltou a sofrer um contratempo com a lesão de Jakub Kiwior, substituído por Thiago Silva, numa paragem em que Farioli lançou também Seko Fofana.

E foi precisamente o médio recém-chegado que desbloqueou o marcador. Aos 76 minutos, após uma jogada de insistência com vários remates consecutivos, Fofana fez o 1-0, num lance que gerou forte polémica: Morten Hjulmand terá sido pontapeado por Deniz Gul no início da jogada, mas o VAR validou o golo sem que o árbitro fosse chamado ao monitor.

Suárez salva Sporting no último suspiro

Quando o FC Porto já celebrava a vitória, o Sporting ainda teve uma última oportunidade. Aos 90+10’, foi assinalada grande penalidade a favor dos leões. Luís Suárez permitiu a defesa de Diogo Costa, mas foi mais rápido na recarga e fixou o resultado final em 1-1, gelando o Dragão.

Contas do título ficam em aberto

Com este empate, tudo permanece em aberto na luta pelo título. O FC Porto lidera com 56 pontos, seguido do Sporting com 52, enquanto o Benfica fecha o pódio com 49, sendo, nesta jornada, o principal beneficiado pelo desfecho do Clássico.

Farioli: “Houve uma equipa que quis mais vencer e estava de azul e branco”

Treinador do FC Porto lamenta golo sofrido no último lance, mas elogia atitude da equipa e ligação aos adeptos

Francesco Farioli considerou que o FC Porto foi a equipa que mais quis vencer no Clássico frente ao Sporting, que terminou empatado (1-1), no Estádio do Dragão, em jogo da 21.ª jornada da I Liga. Na conferência de imprensa após o encontro, o treinador dos dragões destacou a postura da sua equipa, lamentando o golo sofrido já no último lance da partida.

“Pedi à equipa para pressionar alto e jogar sem medo. Fizemos o nosso jogo com bola, criámos boas ocasiões de golo e quisemos ganhar frente ao bicampeão. Nunca é bom sofrer um golo no último lance, ainda por cima num erro que podíamos ter evitado, mas isso faz parte do futebol”, afirmou.

Apesar do desfecho, o técnico italiano sublinhou que o foco do grupo já está no próximo compromisso. “Temos agora um jogo na Madeira, frente ao Nacional, e a nossa concentração tem de estar totalmente aí”, acrescentou.

Luta pelo título em aberto

Questionado sobre a corrida pelo título, Farioli foi claro ao reconhecer o equilíbrio na frente da tabela, rejeitando a ideia de que o Clássico tenha sido pouco atrativo.

“É evidente que há três equipas a lutar pelo título e a classificação reflete isso. Não concordo nada que tenha sido um jogo aborrecido. Houve uma equipa que quis mais vencer do que a outra e essa estava de camisola azul e branca. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e estivemos muito perto de ganhar um jogo importante”, frisou.

O treinador recordou ainda a recorrência de golos tardios sofridos frente ao Sporting. “Eles marcaram nos últimos minutos em jogos consecutivos. O que podia pedir mais? Vencer, claro, mas faz parte do jogo. Temos de aceitar e seguir em frente”, concluiu.

“O Dragão empurrou a bola para dentro”

Farioli deixou ainda palavras de agradecimento aos adeptos, destacando a ligação crescente entre a equipa e as bancadas do Estádio do Dragão.

“A nossa conexão com os adeptos é incrível todas as semanas. Damos-lhes razões para virem cá uma ou duas vezes por semana. O golo que marcámos é uma boa imagem disso mesmo: todo o Dragão empurrou a bola lá para dentro, num lance com três ou quatro recargas”, referiu.

“Não sei se acreditam em energias, mas o Dragão esteve lá e fez-se sentir”, rematou.

Rui Borges: “Fomos melhores em tudo e o empate acaba por ser pouco”

Treinador do Sporting elogia controlo do jogo no Dragão, lamenta falta de agressividade no último terço e garante ambição total na luta pelo título

Rui Borges considerou que o Sporting foi a equipa dominante no Clássico frente ao FC Porto, que terminou empatado (1-1), no Estádio do Dragão, a contar para a 21.ª jornada da I Liga. Na conferência de imprensa após o encontro, o técnico leonino destacou o controlo exercido pela sua equipa ao longo da partida, apesar de reconhecer falhas na definição ofensiva.

“No cômputo geral, fomos muito mais senhores do jogo. Faltou-nos, em alguns momentos, sermos mais agressivos na procura da baliza do FC Porto, mas tivemos sempre o jogo bastante controlado. Entrámos muito bem, a querer ter bola, a empurrar o FC Porto para o seu meio-campo e a quebrar a pressão deles”, afirmou.

Segundo Rui Borges, mesmo com o crescimento dos dragões em alguns períodos, o Sporting terminou por cima. “O FC Porto foi equilibrando, mas melhorámos no final da primeira parte e entrámos melhor na segunda. No único lance do FC Porto na segunda parte, fez golo. Teve mérito, foi feliz, e tivemos de correr atrás do prejuízo. Merecemos o empate, que até acaba por ser pouco, apesar de não termos criado grandes oportunidades”, sublinhou.

Respeito mútuo e maturidade competitiva

O treinador leonino destacou ainda o equilíbrio próprio de um Clássico, sublinhando a maturidade da sua equipa num palco exigente como o Dragão.

“É natural que exista respeito de parte a parte, são duas grandes equipas. Sabíamos que bastavam pequenos pormenores, dez segundos de desconcentração, para qualquer uma resolver o jogo. Estivemos muito bem no processo ofensivo e defendemos bem para anular o adversário”, referiu.

Faltou definição, não atrevimento

Questionado sobre a eventual falta de ousadia do Sporting, Rui Borges rejeitou essa ideia, apontando antes limitações circunstanciais.

“O atrevimento esteve lá. Mexi quando achei que tinha de mexer. Perdemos algumas ligações porque o Luis Suárez não estava a 100%. Tivemos mais aproximações à baliza na segunda parte, mas o FC Porto, na única aproximação real, marcou. Defrontámos uma equipa defensivamente muito forte e temos de reconhecer o mérito do adversário”, explicou.

Um ponto no caminho, mas ambição intacta

Apesar do empate, o técnico garante que a equipa mantém o foco total na luta pelos objetivos.

“É um ponto na nossa caminhada. Faltam 13 jogos e vão ser difíceis para toda a gente. Queremos fazer uma segunda volta extraordinária, porque a primeira foi boa, mas não chegou para sermos primeiros. Temos de fazer melhor”, assumiu.

Golos nos instantes finais não são acaso

Rui Borges voltou ainda a abordar a capacidade do Sporting em marcar nos últimos minutos, afastando a ideia de sorte.

“Não saio satisfeito, queria ganhar. Fomos melhores em tudo, o empate é pouco, quanto mais a derrota. A equipa está mais vezes na área adversária e assim vamos estar sempre mais perto de marcar”, disse.

Sobre a chamada “estrelinha”, respondeu com humor: “Só se for o meu avô, graças a Deus. Somos a equipa com mais ataques e golos marcados na Liga, é natural que o golo apareça a qualquer momento”.

Flexibilidade tática e qualidade individual

O treinador explicou ainda as opções táticas e a gestão dos jogadores mais criativos.

“Os grandes jogadores jogam em qualquer lado. Trincão e Pote têm liberdade dentro do jogo. O 4-4-2 é a nossa imagem, a diferença foi o Trincão à esquerda. Queríamos o Pote mais ‘limpo’ para decidir melhor. Mesmo com a pressão do FC Porto, conseguimos sair pelo corredor ou pela zona central e instalar-nos muitas vezes no meio-campo adversário”, detalhou.Taça fica para depois

Sobre o reencontro com o FC Porto na Taça de Portugal, Rui Borges foi claro quanto às prioridades.

“Ainda falta muito. O meu bloco de notas está no Famalicão. São jogos diferentes”, concluiu.