Processo de assédio laboral prescreve na Câmara de Braga e segue para o Ministério Público

José Vilaça e Dr.ª Liliana do Fundo

Um processo disciplinar por alegado assédio laboral na Câmara Municipal de Braga prescreveu por falta de decisão dentro dos prazos legais, acabando por transitar para a via judicial. O caso remonta a janeiro de 2024, tendo sido instaurado durante o mandato do então presidente Ricardo Rio.

O trabalhador que apresentou a queixa, José Vilaça, manifestou descontentamento com a demora do processo, sublinhando que pretende apenas “limpar a sua imagem”, após três décadas de serviço sem registos disciplinares. O funcionário considera ter sido alvo de perseguição com motivações políticas e confirmou que irá prestar declarações junto do Ministério Público.

Segundo o próprio, o inquérito estaria concluído e pronto para decisão, tendo na sua posse comunicações do instrutor do processo a confirmar essa situação. Ainda assim, o prazo legal acabou ultrapassado, levando ao arquivamento.

PS aponta falhas graves e exige esclarecimentos

O tema foi levado à reunião do executivo municipal pelo Partido Socialista. O vereador Pedro Sousa apontou falhas no cumprimento dos prazos legais, indicando que a instrução do processo demorou mais de 12 meses e que a notificação à parte visada só ocorreu no final de 2025.

Ultrapassado o limite de 18 meses previsto na lei, e com mais de 24 meses decorridos, o processo acabou por prescrever. Os socialistas exigem agora medidas para proteger denunciantes, a atualização do Código de Conduta contra o Assédio e a abertura de um procedimento interno para apurar responsabilidades pelo atraso.

Executivo diz que “todos ficam prejudicados”

O atual presidente da autarquia, João Rodrigues, afirmou que a prescrição ocorreu ainda durante o anterior mandato, garantindo que o executivo em funções levou o processo a reunião assim que teve conhecimento.

O autarca rejeitou a ideia de que a ausência de decisão beneficie alguma das partes, defendendo que a falta de conclusão prejudica tanto o denunciante como a denunciada, por deixar o caso sem esclarecimento definitivo.

Com a via administrativa encerrada, o caso segue agora para a justiça, onde o trabalhador pretende ver apuradas responsabilidades e defender a sua reputação.

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