Presidente do Vitória de Guimarães reconhece que ficaram por concretizar duas ou três saídas no último dia do mercado e assume um arranque de campeonato abaixo das expectativas. “O Vitória também é isto: resistência”, afirmou.
O presidente do Vitória de Guimarães, Rui Rodrigues, reconheceu esta terça-feira, no dia em que o clube assinala o 104.º aniversário, alguma frustração com o último mercado de transferências, admitindo que ficaram por concretizar “mais duas ou três saídas”.
O líder vitoriano explicou que o clube atravessou um período particularmente exigente durante a preparação da época, depois de toda a estrutura responsável pela estratégia de futebol ter deixado o Vitória.
“Entrámos com zero, no que podia ser uma estrutura de scouting. Não tínhamos. Toda a estrutura que existia de estratégia de futebol saiu. O clube ficou órfão da estratégia para o futebol”, afirmou.
Apesar das dificuldades, Rui Rodrigues garantiu que as decisões relativas às entradas foram tomadas com o contributo de diferentes áreas do clube, incluindo scouting e equipas técnicas.
“Tudo o que foi feito em termos de entradas contou com a opinião e com a decisão de vários setores do Vitória. Não foram decisões isoladas ou individualizadas pelo Fernando e por mim”, explicou.
“Sentimo-nos um pouco frustrados”
Sobre as saídas, o presidente destacou o papel desempenhado por Fernando Meira nas negociações realizadas na reta final do mercado, mas admitiu que nem todos os objetivos foram alcançados.
“Relativamente às saídas, evidentemente o Fernando teve um papel muito importante em algumas saídas que se verificaram no final do mercado. Sentimo-nos um pouco frustrados porque havia mais duas ou três saídas que se podiam ter concretizado, mas que nos ultrapassam”, revelou.
“Não conseguimos que se concretizassem, mas faz parte. Entrámos num momento da época muito difícil e temos de avançar”, acrescentou.
Rui Rodrigues assume momento difícil
O Vitória de Guimarães chega ao aniversário do clube num momento desportivo exigente. Rui Rodrigues reconheceu que a classificação não corresponde, na sua perspetiva, ao desempenho apresentado pela equipa nas primeiras sete jornadas.
“Pelo que temos demonstrado nestas primeiras sete jornadas, a classificação não se coaduna com o que temos feito no relvado. O que conta é a bola entrar”, afirmou.
O presidente considera que a equipa precisa de continuar a trabalhar para transformar as oportunidades e o desempenho em resultados.
“Nesse sentido, temos de trabalhar mais afincadamente no dia a dia para que isso aconteça. É um bocado frustrante, mas, internamente, acreditamos muito nos jogadores e no treinador. Acreditamos muito no trabalho que estamos a fazer internamente.”
“O Vitória também é isto: resistência”
Perante o atual cenário, Rui Rodrigues deixou uma mensagem de união dentro do clube.
“Estamos muito unidos num momento difícil. O Vitória também é isto: resistência. Não podemos olhar só para o momento. É todo um processo. Estamos com toda a vontade de dar a volta à situação”, afirmou.
O presidente também apelou à estabilidade e à capacidade de decisão para ultrapassar o período de maior pressão.
“A estabilidade é fundamental. Temos de ter uma capacidade de decisão que dê tranquilidade”, defendeu.
Rui Rodrigues reconheceu ainda a pressão sentida pelos adeptos, sublinhando que a frustração existente nas bancadas é igualmente sentida pela estrutura do clube.
“A frustração dos adeptos é a nossa frustração. Estamos com vontade de dar a volta por cima”, afirmou.
Reabilização interna como prioridade
No plano institucional, Rui Rodrigues revelou que a principal prioridade da direção passa pela reorganização estrutural do Vitória e pela recuperação das relações internas.
“O primeiro objetivo que tínhamos era o de reabilitar o clube estruturalmente. É algo que estamos a tentar fazer”, explicou.
O presidente lembrou ainda que a humanização das relações internas foi uma das prioridades assumidas durante a campanha eleitoral.
“Sentíamos que, internamente, não estava a existir isso. Criaram-se relações frias entre as estruturas dentro do clube. Essa é uma das principais resistências que tínhamos e que estamos a tentar desbloquear.”
Para Rui Rodrigues, a mudança deverá começar dentro do próprio clube.
“Temos de dar o exemplo de dentro para fora”, concluiu.
Um aniversário para recordar a história do Vitória
No dia em que o Vitória de Guimarães completa 104 anos, Rui Rodrigues destacou ainda o significado de representar o clube neste momento da sua história.
“É um orgulho imenso eu e a minha equipa estarmos neste momento no aniversário do Vitória”, afirmou.
O presidente deixou uma palavra às várias gerações que contribuíram para a construção da identidade vitoriana.
“O mais importante é honrar todas aquelas gerações que ajudaram a construir o Vitória, sobretudo aqueles que ajudaram a criar os nossos valores, a nossa cultura, a nossa identidade, a nossa mística.”
Para Rui Rodrigues, o aniversário deve servir também para recordar o percurso que permitiu ao clube chegar aos 104 anos e reforçar a responsabilidade das atuais estruturas na continuidade desse legado.































