Cerca de 70 elementos da UMinho repudiam receção ao embaixador de Israel em Guimarães

Manifesto de docentes, investigadores e trabalhadores critica o encontro com Oren Rozenblat, organizado pela Câmara de Guimarães em setembro

Cerca de 70 docentes, investigadores e trabalhadores da Universidade do Minho (UMinho) assinaram um manifesto, divulgado esta quinta-feira, de repúdio pela receção ao embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, na Câmara Municipal de Guimarães. Os signatários afirmam estar “perplexos” com a iniciativa.

O encontro realizou-se a 14 de setembro, com o presidente da Câmara, Ricardo Araújo (PSD/CDS-PP). Segundo o município, a reunião serviu para explorar possibilidades de colaboração em áreas como a inovação, a tecnologia, a proteção civil, a qualificação de recursos humanos e a atração de investimento.

Depois da contestação cívica, o autarca defendeu a normalidade das relações diplomáticas e afirmou que a receção não representava uma tomada de posição sobre a política internacional de Israel. Para os signatários, porém, o encontro contribui para branquear o que descrevem como um genocídio em curso na Palestina. Consideram que, perante a gravidade da situação, a receção não pode ser vista como um simples ato diplomático.

O manifesto recorda que a comunidade internacional, incluindo os seus órgãos multilaterais, considera a atuação de Israel como potência ocupante da Palestina profundamente criminosa e passível de condenação judicial. Os signatários acusam o embaixador de defender publicamente as ações do governo, dos militares e dos colonos israelitas, e de fazer ameaças a quem denuncia o conflito em Portugal.

Os autores do texto dizem não acreditar que o presidente da Câmara concorde com a posição do Governo israelita sobre o direito de Israel a defender-se sem limites, e questionam se o gesto, mesmo sendo formal, não acaba por normalizar a violência em curso.

A receção provocou também contestação política no concelho. PS, Bloco de Esquerda, Livre e CDU questionaram a estratégia seguida pelo município. O compositor César Viana deixou a direção artística do Festival de Música Religiosa de Guimarães, por discordar da aproximação institucional e comercial entre a Câmara e Israel, no contexto atual da situação em Gaza.

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