CDU exige respostas do Estado para famílias com filhos portadores de deficiência

Partido reuniu com o Movimento Pais em Luta e critica desresponsabilização do Estado e falta de apoio nas respostas sociais

A CDU reuniu-se com representantes do Movimento Pais em Luta, em Braga, numa iniciativa que surgiu na sequência de ações reivindicativas promovidas por pais de crianças e jovens com deficiência. A delegação da CDU foi composta pelo deputado na Assembleia da República, Alfredo Maia, e pela cabeça de lista à Assembleia Municipal de Braga, Sandra Cardoso.

Durante o encontro, os comunistas manifestaram preocupação face à “realidade inaceitável” vivida por centenas de famílias que veem os seus direitos “restringidos e desvalorizados”, devido à ausência de respostas sociais públicas adequadas para os seus filhos com deficiência.

“É inaceitável que pais de filhos portadores de deficiência sejam forçados a abdicar das suas carreiras profissionais por falta de soluções adequadas após o término da escolaridade obrigatória dos filhos”, alertou a CDU, em nota enviada à imprensa.

A coligação critica a redução do financiamento dos serviços públicos e das instituições de apoio social, como as IPSS, e aponta como exemplo os CACI (Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão) e os CAVI (Centros de Apoio à Vida Independente), “estruturas essenciais que continuam a carecer de vagas e apresentam infraestruturas muitas vezes degradadas”.

A CDU considera que o Estado tem vindo a transferir responsabilidades próprias para instituições locais sem garantir os recursos necessários, criando burocracias excessivas e falta de fiscalização, o que deixa as famílias numa situação de constante instabilidade e desgaste.

“O direito ao trabalho dos pais é sistematicamente posto em causa, somando-se os custos elevados dos programas terapêuticos, o que empurra estas famílias para situações de fragilidade económica e emocional”, denuncia o partido.

A CDU exige uma rede pública de qualidade e abrangente, desde a creche até à vida adulta, que inclua respostas educativas inclusivas, centros de atividades de tempos livres, CACI, CAVI, e a efetiva regulamentação do Estatuto do Cuidador Informal, com equipas de apoio e fiscalização efetiva do cumprimento da lei.

O Movimento Pais em Luta avançou com uma petição pública, que visa levar o tema à discussão na Assembleia da República, na esperança de acelerar mudanças concretas.