João Baptista acusa adversários de demagogia e exige medidas concretas antes das eleições
O candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Braga, João Baptista, lançou esta terça-feira um repto direto ao vereador João Rodrigues, também candidato pelo movimento Juntos por Braga: que proponha, de imediato, a gratuidade dos transportes públicos no concelho, sem esperar pelo resultado das próximas eleições autárquicas.
O desafio foi feito durante uma conferência de imprensa, realizada simbolicamente em frente à Central de Camionagem de Braga. Baptista quis assim destacar o que considera ser “demagogia” por parte dos restantes candidatos, ao apresentarem promessas sem concretização.
“João Rodrigues pode propor essa opção já nas próximas reuniões do Executivo. Não precisa de esperar por outubro para demonstrar que esta não é apenas uma promessa eleitoral, mas uma vontade política concreta”, afirmou o candidato da CDU, assegurando que, se tal proposta for levada a votação, contará com o voto favorável da CDU, tanto no Executivo como na Assembleia Municipal.
Mobilidade, habitação e críticas ao Executivo atual
Durante a intervenção, João Baptista apontou também falhas estruturais na mobilidade urbana e apresentou alternativas. Defendeu a municipalização da Avenida António Macedo e a criação de um corredor exclusivo para o sistema BRT (Bus Rapid Transit), integrado na Circular Interna da cidade. Esta medida, defende, permitiria aliviar o congestionamento na zona do nó de Infias e tornar mais eficaz o investimento público no transporte coletivo.
“É uma oportunidade para o município reclamar a transferência de tutela da Avenida António Macedo, criando um corredor de metrobus e, simultaneamente, pressionar o Governo a avançar com a construção da variante externa do Cávado, sem custos para a Câmara”, sublinhou.
Na área da habitação, o candidato comunista criticou duramente a gestão da coligação liderada por Ricardo Rio, acusando o Executivo de inação e de má gestão dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Braga limita-se à construção da residência universitária na antiga Fábrica Confiança, enquanto o resto do concelho continua com um défice gritante de oferta habitacional”, apontou.
Críticas transversais aos candidatos rivais
João Baptista não poupou críticas aos seus adversários diretos. Apontou a António Braga, candidato do PS, responsabilidades históricas por decisões como a alienação parcial da empresa municipal AGERE, a criação da SGEB (Parceria Público-Privada) e o que classificou como “construção desordenada” em várias zonas da cidade.
Quanto ao candidato da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, João Baptista criticou a sua oposição à regionalização, considerando que essa posição enfraquece a capacidade de Braga se afirmar na estrutura administrativa nacional. Ironizou ainda a proposta liberal de tornar Braga a “capital do Norte”, que classificou como um “slogan vazio para manchetes”.
O candidato independente Ricardo Silva, atual presidente da Junta de Freguesia de São Victor, foi descrito como tendo uma atuação “pouco interventiva” e de “alinhamento com a coligação Juntos por Braga”, especialmente em dossiês como o do espaço Supera.
Por fim, dirigiu críticas ao Chega e ao seu candidato Filipe Aguar, acusando-o de “atitude passiva” na Assembleia Municipal, por não apresentar propostas nem exercer oposição, contribuindo antes para viabilizar decisões estruturantes do Executivo.
































