Sindicatos denunciam agravamento da escassez docente e falhas nos concursos a três semanas do início do ano letivo
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) lançou um alerta preocupante: se as aulas do ensino básico e secundário começassem hoje, cerca de 400 mil alunos estariam sem todos os professores atribuídos. O cenário, descrito como “mais negro” do que o vivido no ano passado, reflete uma crise crescente na colocação de docentes em Portugal.
Segundo José Feliciano Costa, secretário-geral da Fenprof, os dados divulgados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) revelam que, apesar da colocação de quase 19 mil docentes, permanecem 3.152 horários por preencher — um salto significativo face aos 164 horários em falta no mesmo período do ano anterior.
“Estamos muito pior no que à falta de professores diz respeito”, afirmou Feliciano Costa, sublinhando que muitos desses horários já não têm candidatos disponíveis.
Mesmo com a possibilidade de contratação através das reservas de recrutamento, a situação continua crítica. Este ano há menos 2.566 docentes disponíveis nessas reservas, passando de mais de 19 mil em 2024 para cerca de 16 mil em 2025.
Grupos de recrutamento em queda
A Fenprof destaca uma redução alarmante de candidatos em vários grupos de recrutamento:
- 1.º Ciclo do Ensino Básico: menos 27,7%
- Inglês no 1.º Ciclo: menos 36,8%
- Português e Inglês: menos 42,3%
- Matemática e Ciências da Natureza, Geografia e Educação Especial também registam quebras significativas.
Com a escassez de professores profissionalizados, os diretores escolares têm recorrido cada vez mais à contratação de escola, o que implica a entrada de docentes não profissionalizados — uma solução que, segundo os sindicatos, compromete a qualidade do ensino.
Aposentações e erros nos concursos agravam instabilidade
Outro fator que agrava o problema é o número elevado de aposentações: 2.054 professores deixaram a profissão até 31 de agosto, sem que haja entradas suficientes para compensar essa saída.
Além disso, tanto a Fenprof como a Federação Nacional da Educação (FNE) denunciaram erros no preenchimento das candidaturas à Mobilidade Interna, que não foram detetados pelo sistema. Estes lapsos têm causado instabilidade e angústia entre os docentes, com casos de colocação em zonas pedagógicas erradas e afastamento significativo das suas residências.
A FNE exige a rápida correção dos erros e a emissão de orientações claras por parte da tutela, alertando que esta situação pode comprometer o normal funcionamento das escolas no início do ano letivo 2025/2026.



































