Nos últimos anos, vários casos de violência e coação por parte de militares da GNR contra imigrantes levaram a detenções, julgamentos e expulsões do corpo
Nos últimos anos, vários militares da GNR foram detidos e alguns expulsos por crimes cometidos contra imigrantes em Portugal. Três dos condenados acabaram por ser afastados pelo Ministério da Administração Interna, enquanto outros estiveram suspensos de funções.
Casos de 2018
Dois casos, ocorridos em setembro e outubro de 2018, envolveram militares do posto de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, distrito de Beja. Em causa estavam crimes de sequestro, violação de domicílio e agressões a trabalhadores imigrantes.
No caso de setembro, sete militares foram acusados de agressões gravadas por um dos próprios agentes. Entre insultos e violência, um imigrante chegou a ser obrigado a colocar na boca um tubo de medidor de taxa de alcoolemia contendo gás pimenta. Já no episódio de outubro, cinco militares foram acusados de agredir imigrantes em falsas operações stop. Três militares participaram em ambos os casos, sendo que pelo menos um recebeu uma pena de prisão efetiva de seis anos.
Casos recentes
Em maio deste ano, dois militares da GNR foram detidos em Tavira, distrito de Faro, por suspeitas de extorsão a imigrantes, permanecendo em prisão preventiva na cadeia de Évora. Segundo a GNR, os militares terão abordado cidadãos pertencentes a minorias, abusando da autoridade e, em alguns casos, recorrendo a força excessiva para obter dinheiro.
No caso mais recente, dez militares da GNR e um elemento da PSP, em Beja, foram detidos por integrarem uma rede criminosa de auxílio à imigração ilegal. A operação da Polícia Judiciária resultou na detenção de 17 pessoas no total. Segundo o Ministério Público, a organização aproveitou-se da vulnerabilidade documental, social e económica de trabalhadores originários de países terceiros, indocumentados na sua maioria, que eram explorados em setores como a agricultura, recebendo salários abaixo do mercado e sendo mantidos sob coação, ameaças e violência física.
Consequências e expulsões
Além das detenções e processos judiciais, pelo menos três militares já foram expulsos da GNR, demonstrando a gravidade das infrações e o empenho das autoridades em combater abusos contra grupos vulneráveis.



































