Dez pessoas acusadas de tráfico de droga em Barcelos, Braga e Vila Verde

Ministério Público de Famalicão aponta rede liderada por jovem de 26 anos; seis arguidos estão em prisão preventiva

O Ministério Público (MP) de Famalicão acusou dez pessoas por crimes de tráfico de estupefacientes, seis por tráfico agravado e quatro por tráfico simples. A atividade criminosa terá ocorrido sobretudo em Barcelos, mas também em Braga e Vila Verde.

Segundo a acusação, o esquema funcionava desde 2024 a partir de uma residência em Padim da Graça, nos arredores de Braga, onde o principal arguido, Rafael C., de 26 anos, recebia consumidores e vendia cocaína e haxixe. O produto era redistribuído por outros elementos do grupo.

Lavandaria como ponto de venda

O MP refere que a rede utilizava também uma lavandaria na freguesia da Lage, em Vila Verde, propriedade da família do arguido, como ponto de comercialização. Os pagamentos eram feitos através da aplicação MBWay.

Organização e vigilância

Rafael C. é apontado como líder da cadeia de tráfico, responsável pela compra e dispersão da droga. Os colaboradores guardavam os estupefacientes em diversos locais e transportavam-nos em pequenas quantidades escondidas em roupas e junto à zona genital.

A residência estava equipada com câmaras de videovigilância na parte frontal e lateral, permitindo observar os movimentos no exterior. O arguido utilizava várias viaturas ligeiras, cinco das quais foram apreendidas pela GNR e poderão ser declaradas perdidas a favor do Estado por derivarem da atividade criminosa.

Abastecimentos e comunicações

Os abastecimentos eram feitos maioritariamente junto da lavandaria, em quantidades mínimas de dois quilos. Para coordenar o grupo, o líder recorria a plataformas digitais como WhatsApp, Instagram, Messenger e Telegram, esta última escolhida pela maior segurança e anonimato nas comunicações.

Processo judicial

O processo conta com 91 testemunhas, incluindo militares da GNR e consumidores. O principal arguido e a sua companheira são defendidos pelo advogado bracarense João Ferreira Araújo, que afirmou apenas que tentará demonstrar que as teses da acusação “não estão completamente corretas”.