O Vitória faz história e apura-se para a final da Taça da Liga com reviravolta nos descontos

Dois golos de Ndoye já para lá dos 90 minutos deram um apuramento inédito aos vimaranenses frente ao Sporting, em Leiria.

O Vitória SC fez história esta terça-feira ao garantir, pela primeira vez, a presença na final da Taça da Liga, depois de uma reviravolta épica nos descontos diante do Sporting, vencendo por 2-1 na meia-final disputada no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria.

Alioune Ndoye foi a figura maior do encontro. Lançado aos 78 minutos, o avançado senegalês marcou aos 90+2 e aos 90+11, anulando a vantagem que o Sporting tinha construído na primeira parte, com um golo do colombiano Luis Suárez, aos 13 minutos.

O conjunto ‘leonino’ esteve perto de assegurar a sua nona presença numa final da competição, mas acabou por sucumbir à eficácia tardia dos minhotos, numa noite ainda marcada pelas lesões de Fotis Ioannidis e Eduardo Quaresma, ambos forçados a sair durante o encontro.

O Sporting entrou melhor e controlou a primeira parte, chegando cedo ao golo através de Suárez, após passe de Francisco Trincão. Apesar da vantagem, o Vitória nunca deixou de procurar o empate, criando perigo sobretudo em lances de bola parada e em remates de meia distância, com destaque para uma tentativa audaciosa de Abascal ainda antes do intervalo.

Na segunda parte, os vimaranenses intensificaram a pressão e obrigaram Charles e Rui Silva a intervenções sucessivas, com ocasiões repartidas entre as duas equipas. O Sporting dispôs de várias oportunidades para fechar o jogo, mas encontrou sempre o guarda-redes do Vitória em plano elevado.

Quando tudo parecia decidido, Ndoye mudou o rumo da história. Primeiro, antecipou-se à defesa para finalizar um cruzamento de Gonçalo Nogueira e restabelecer a igualdade. Já no último suspiro do encontro, voltou a aparecer na área, desta vez após assistência de Saviolo, para consumar a reviravolta e lançar a festa vimaranense.

Com este triunfo, o Vitória SC garante um lugar na final da Taça da Liga, onde vai defrontar, no sábado, o vencedor do duelo entre Benfica e Sporting de Braga. Uma noite memorável para o clube de Guimarães, que entra definitivamente para a história da competição.

Luís Pinto, treinador do V. Guimarães, em declarações na flash interview da Sport TV após vitória, a contar para as «meias» da Taça da Liga. 

Vitória jogou com coragem

«Sim. A forma como sempre quisemos estar a disputar o jogo com coragem era algo que nós tínhamos que conseguir para ter um resultado positivo contra um adversário com esta qualidade e capacidade. Desde o primeiro ao último minuto conseguimos isso. Na segunda parte, pelo menos por sensação, até conseguimos mais alto no campo. Não tivemos que correr tantas vezes para trás como na primeira. Por isso, sim, além de tudo o resto da organização, a alma vitoriana esteve presente e é algo que nos deixa felizes.»

Houve mudanças de um jogo para o outro

«Sim, nós há 15 dias também tínhamos tentado. A forma que o fizemos é que não foi tão agressiva e tão corajosa, pelo menos nos primeiros 20 minutos, como hoje. Mas os bons sinais que tínhamos dado há 15 dias faziam-nos crer que nós podíamos ter este resultado que tivemos aqui. Hoje, felizmente, conseguimos comprovar isso.»

Primeira final da Taça da Liga do Vitória

«Sim, é marcante, é bom porque é a primeira vez que o clube estará na final. Agora, obviamente que estando na final vamos querer vencer, porque é o próximo jogo que temos e queremos ainda poder acrescentar esse novo dado à história do clube. Não só por isso, mas pela sensação que há algum tempo tenho vindo a falar desta equipa e da qualidade que estes jogadores têm. Por vezes a crença que eles têm neles ainda não é tão grande como aquela que podia ser. Hoje aqui, felizmente, isso permitiu-nos conseguir uma exibição muito interessante, muito boa e um resultado que nós pretendíamos.»

Vitória «sem dedo» do treinador

«Não, sinto que foi uma vitória de toda a gente que trabalha para preparar o jogo. De toda a gente que trabalha para estar em condições para o tempo que for preciso, quer seja para jogar a início, quer seja para entrar e poder terminar o jogo. Por isso foi uma vitória de toda a gente, não tem nada a ver com o dedo do treinador.»

Tem algum adversário preferido? 

«Não, temos a noção que será sempre um jogo muito desafiante. Temos a noção que será sempre um jogo em que nos vai exigir coisas diferentes do jogo de hoje. E que aquilo que nós realmente queremos é estar presentes. Agora que estamos presentes, obviamente que vamos querer preparar o jogo para poder no final conquistar o troféu.»

Rui Borges, treinador do Sporting, analisa, a derrota frente ao Vitória, por 2-1, que ditou o afastamento dos leões da final da Taça da Liga:

Análise ao jogo

«Foi um jogo difícil do início ao fim, em que o Vitória acreditou até ao final e foi feliz. Na segunda parte, poderíamos ter feito o 2-0, mas não fizemos, também por mérito do guarda-redes do Vitória em alguns momentos. Depois foi o acreditar do adversário. Há que lhe dar os parabéns e seguir em frente.»

Muitas lesões na equipa

«Saímos daqui com mais duas lesões, é um caso de estudo. Isso deixa-me bastante triste. Tem-nos acontecido tudo. Mais do que termos sido penalizados nos últimos minutos do jogo, é termos saído daqui com menos dois jogadores.»

«Não é difícil, mas faz mossa. Bate, bate e faz mossa. É algo que não controlamos. A lesão do Edu (Quaresma) pode ter alguma gravidade. É o futebol. Há que seguir em frente, levantar a cabeça. Não conseguimos algo que queríamos, que era estar na final, mas temos de dar os parabéns ao adversário e seguir o nosso caminho.»

Dificuldades criadas pela pressão alta do Vitória

«O Vitória veio com uma pressão diferente da que tem feito e da que nos fez em casa. Mas se conseguíssemos bater a primeira pressão do Vitória, tínhamos muito espaço para atacar a profundidade. Havia momentos no jogo em que até estávamos em superioridade numérica. Tínhamos de ter procurado mais passes longos em alguns momentos, não tivemos essa energia toda que costumamos ter. Mas dentro daquilo que foi o jogo, poderíamos ter feito o 2-0.»

Objetivo perdido para o Sporting

«O grupo já demonstrou que a resiliência é enorme. Há muito campeonato ainda, uma segunda volta toda para ser disputada. Temos de seguir o nosso caminho, fazer o que podemos controlar e dar o nosso melhor.»

Mais tempo para preparar o regresso da Liga

«Alguns dias para recuperar um pouco, respirarmos um bocado. Mas queríamos muito estar na final. Não conseguimos, temos de seguir o nosso caminho e focar já no próximo jogo do campeonato para voltarmos às vitórias.»

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