Todas as hipóteses em aberto, mas sem indícios de sabotagem no acidente ferroviário em Espanha – Governo

O Governo de Espanha afirmou esta terça-feira que todas as hipóteses continuam em aberto na investigação ao grave acidente ferroviário ocorrido no domingo no sul do país, embora não existam, até ao momento, quaisquer indícios de sabotagem.

Em conferência de imprensa, após a reunião do Conselho de Ministros, o ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, explicou que a investigação se encontra ainda numa fase inicial de recolha de dados, razão pela qual não é possível excluir cenários. No entanto, sublinhou que não há qualquer evidência que aponte para um ato intencional.

As autoridades espanholas registaram 43 denúncias de pessoas desaparecidas feitas por familiares e conhecidos, enquanto foram até agora encontrados 41 corpos. Segundo o ministro, as operações no local continuam, uma vez que ainda não foram removidas todas as carruagens dos comboios envolvidos.

O Governo indicou que os peritos da Comissão Independente de Acidentes Ferroviários (CIAF) estão a concentrar a análise nos carris, nomeadamente no ponto onde se iniciou o descarrilamento de um comboio da empresa privada Iryo, bem como nas rodas das carruagens dessa composição. No terreno encontram-se também elementos da Guarda Civil, com competências de investigação criminal.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, revelou que foi identificada uma rutura na via férrea, embora ainda não seja possível determinar se essa falha é a causa ou uma consequência do acidente. Garantiu ainda que as várias incidências registadas nos últimos meses nesta linha de alta velocidade estiveram relacionadas sobretudo com problemas de sinalização e que não havia registo de ocorrências no troço onde se deu o acidente.

Na segunda-feira, o presidente da Renfe, empresa pública proprietária do segundo comboio envolvido, afastou a hipótese de erro humano ou de excesso de velocidade. Também o presidente da CIAF, Iñaki Barrón, afirmou à RTVE que, numa avaliação preliminar, não parece ter havido falha humana, de sinalização ou de eletrificação.

Espanha cumpre esta terça-feira o primeiro de três dias de luto nacional decretados pelo Governo. O acidente provocou cerca de 150 feridos, dos quais 122 receberam assistência hospitalar e 39 permanecem internados, 13 em unidades de cuidados intensivos.

Nos dois comboios viajavam 517 passageiros, além dos trabalhadores das respetivas empresas. O acidente ocorreu pelas 19:45 de domingo, perto da localidade de Adamuz, na província de Córdova. Três carruagens do comboio da Iryo descarrilaram numa zona reta com mudança de agulhas e tombaram sobre a via contrária, onde, cerca de 20 segundos depois, circulava um comboio da Renfe.

Na sequência da colisão, as duas primeiras carruagens da composição da Renfe foram projetadas para um aterro, ficando praticamente destruídas, segundo o presidente da empresa, Álvaro Fernández Herédia.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, prometeu total transparência na apuração das causas do acidente, classificando-o como uma tragédia que levantou fortes interrogações no país. Espanha possui a segunda maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, a seguir à China, e este é considerado o maior acidente de sempre e o primeiro com vítimas mortais desde a inauguração da rede, em 1992.

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