Filipe Aguiar defende que o projeto carecia de condições e exige esclarecimentos sobre verbas já gastas
Filipe Aguiar, vereador do CHEGA na Câmara Municipal de Braga, saudou a decisão anunciada esta semana pelo presidente do Município de não avançar com a Linha Vermelha do BRT, considerando que “não estavam reunidas as condições necessárias para a sua concretização”.
Segundo o autarca, esta decisão vem confirmar uma posição que o partido tem defendido desde o início do processo. “Um BRT com via dedicada, desligado de uma estratégia global de mobilidade, não retiraria carros das ruas de Braga, antes agravaria os problemas existentes”, afirmou. Para Filipe Aguiar, a supressão de uma faixa de rodagem para criar uma via exclusiva, sem alternativas reais ao automóvel, “apenas aumentaria o congestionamento e o caos no trânsito urbano”.
O CHEGA sublinha que um sistema de Bus Rapid Transit (BRT) só faz sentido quando integrado num projeto de mobilidade mais amplo, capaz de oferecer soluções eficazes aos cidadãos. Entre essas soluções, destaca a articulação entre transportes públicos, estacionamento dissuasor, interfaces de mobilidade, modos suaves e um planeamento urbano coerente. “A existência de via dedicada é um requisito do BRT, mas não pode ser imposta sem uma visão global e responsável da cidade”, acrescenta o vereador.
O partido recorda ainda que o projeto do BRT em Braga previa inicialmente um investimento global de 75,5 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), valor que chegou a ser revisto para cerca de 94 milhões de euros. Apenas a Linha Vermelha teve um concurso lançado com um preço base de 35 milhões de euros, ao qual se somou um concurso de 17 milhões de euros para a aquisição de 12 autocarros elétricos articulados — financiamento que se manteve apesar da suspensão da linha central.
Em janeiro de 2026, foi ainda anunciado que Braga irá perder cerca de 30 milhões de euros de financiamento PRR, na sequência da decisão de suspender a linha no centro da cidade e redefinir prioridades, nomeadamente a ligação a Guimarães e à futura Linha de Alta Velocidade, recorda Filipe Aguiar.
Perante este cenário, o vereador do CHEGA considera “imprescindível” esclarecer quanto já foi gasto em projetos, estudos, concursos e procedimentos, bem como apurar responsabilidades políticas. “É legítimo que os bracarenses saibam quanto já foi gasto, em que etapas, e quem assumiu as decisões que conduziram à perda de verbas comunitárias”, conclui.






























