Testemunhos contraditórios marcaram o julgamento de sete arguidos acusados de exploração sexual e outros crimes em Rio Mau
Testemunhos contraditórios marcaram a segunda sessão do julgamento de sete arguidos acusados de crimes relacionados com a exploração da prostituição num conhecido espaço noturno de Rio Mau, Vila do Conde.
Apesar de alguns clientes terem sido apanhados em pleno ato sexual durante uma ação policial, vários alegaram perante o juiz desconhecer a prática de sexo no estabelecimento.
O processo diz respeito ao Club 80, situado na estrada EN 206, considerado um dos maiores clubes noturnos do Norte do país à data dos acontecimentos. Entre os arguidos está o empresário Rui Sousa, acusado, juntamente com outros seis, de lenocínio, branqueamento de capitais e outros crimes.
No Tribunal de Matosinhos, Martim C., motorista de Vila do Conde, afirmou inicialmente ter visitado o clube apenas para “beber um copo”, descrevendo-o como uma simples dancetaria. Confrontado com declarações anteriores, acabou por admitir que manteve relações sexuais numa zona reservada, tendo sido surpreendido pelos inspetores do SEF com as calças em baixo.
Outro cliente, Daniel S., soldador residente na Suíça, ouvido por videoconferência, alegou desconhecer a natureza do clube quando o frequentou em 2019, negando qualquer prática sexual, em contradição com os autos elaborados pelo SEF. Já Gonçalo R., ajudante de armazém, admitiu ter pago cerca de 50 euros para aceder a uma zona reservada, onde manteve relações sexuais, sendo surpreendido pela polícia ao preparar-se para sair.
Entre as mulheres que trabalhavam no espaço, algumas negaram a prática de sexo, afirmando que apenas realizavam danças mediante comissões, embora pelo menos uma tenha reconhecido que já ocorreram relações sexuais noutras ocasiões.
O Ministério Público acusa três arguidos de auxílio à imigração ilegal e angariação de mão de obra ilegal, crimes que se somam ao de lenocínio imputado a cinco dos envolvidos e ao de branqueamento de capitais atribuído a todos os arguidos.


































