Trabalhadores alertam que subconcessão de linhas suburbanas ameaça futuro da CP

Comissão de Trabalhadores acusa Governo de avançar para uma privatização encapotada do transporte ferroviário

A CP – Comboios de Portugal está no centro da contestação dos seus trabalhadores, que consideram urgente travar a subconcessão das linhas de Sintra/Azambuja, Cascais, Sado e Porto. Em comunicado divulgado este sábado, a Comissão de Trabalhadores da CP afirma que a medida representa “mais um passo no processo de privatização” do transporte ferroviário.

Segundo os representantes dos trabalhadores, a opção do Governo constitui “um ataque direto” à CP enquanto empresa pública estratégica, acusando o executivo de recorrer a “demagogia, desinformação e propaganda” para justificar a decisão, ocultando as suas consequências reais.

A Comissão de Trabalhadores alerta que a retirada dos serviços suburbanos mais rentáveis comprometerá seriamente o equilíbrio económico da empresa, colocando em causa a operação a nível nacional e a própria sobrevivência da CP.

O comunicado sublinha ainda que o anúncio surge depois de ter sido garantida a compra de novos comboios, após décadas sem investimento em material circulante. “O que está em preparação é, na prática, a entrega de material adquirido com investimento público a operadores privados”, afirmam, apontando o exemplo da Fertagus, que opera numa infraestrutura pública com comboios cedidos pela CP.

“Os investimentos são públicos, mas os lucros acabam apropriados por grupos económicos privados e multinacionais”, acusam, defendendo que este modelo contraria o interesse nacional e serve apenas os interesses dos privados.

Na quinta-feira, durante o briefing do Conselho de Ministros, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, explicou que o Governo mandatou a CP para apresentar, no prazo de 90 dias, soluções jurídicas, económico-financeiras e temporais para modelos de subconcessão destas quatro linhas, após a análise de um estudo preliminar.

O governante adiantou ainda que o Executivo pretende lançar os concursos públicos no segundo semestre do ano, ficando a CP responsável pela gestão das subconcessões. As quatro rotas abrangem um total de 355 quilómetros e transportaram cerca de 166 milhões de passageiros em 2024.

A Comissão de Trabalhadores defende, em alternativa, que o Governo deve assumir os atrasos na aquisição de material circulante, reforçar a capacidade de manutenção e produção e apostar num modelo de investimento público direto, incluindo na Linha de Alta Velocidade, rejeitando soluções assentes em parcerias público-privadas.

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