Vitória vence dérbi concelhio e regressa aos triunfos num jogo marcado por apagão

Penálti de Samu decidiu duelo equilibrado frente ao Moreirense, interrompido por falha de iluminação no D. Afonso Henriques

O Vitória SC regressou às vitórias na I Liga ao bater o Moreirense por 1-0, esta sexta-feira, no dérbi concelhio que abriu a 20.ª jornada do campeonato, num encontro de domínio repartido e marcado por um inusitado apagão de luz já nos descontos.

O golo decisivo surgiu aos 66 minutos, por Samu, suplente lançado na segunda parte, na conversão de uma grande penalidade assinalada após falta de Stjepanovic sobre Alioune Ndoye, outro jogador que saiu do banco.

Jogo dividido e decidido na segunda parte

O Moreirense foi a equipa mais consistente na primeira metade, controlando o ritmo e criando as melhores oportunidades, enquanto o Vitória cresceu claramente após o intervalo, assumindo o comando das operações.

A partida ficou ainda marcada por uma falha de energia aos 90+3 minutos, que deixou o Estádio D. Afonso Henriques às escuras durante cerca de 15 minutos, obrigando à interrupção do jogo já em tempo de descontos, numa noite de trovoada em Guimarães.

Ultrapassado o incidente, o encontro terminou com o triunfo dos “conquistadores”, que colocaram fim a um ciclo de duas derrotas consecutivas.

Alterações no onze vitoriano

Depois da derrota em Estoril (4-2), Luís Pinto promoveu várias alterações no onze inicial do Vitória. Charles voltou à baliza, rendendo Castillo, enquanto Beni Mukendi e Diogo Sousa reforçaram o meio-campo. No ataque, a dupla foi composta por Gustavo Silva e Nélson Oliveira.

Os vitorianos tentaram imprimir intensidade nos minutos iniciais, mas o Moreirense respondeu com organização e circulação segura de bola, explorando sobretudo o flanco esquerdo. Foi desse corredor que nasceu a melhor ocasião da primeira parte, com Alanzinho a obrigar Charles a uma defesa apertada, aos 29 minutos.

Mudança tática faz a diferença

Perante as dificuldades ofensivas, Luís Pinto alterou o sistema do 4-4-2 para o habitual 4-2-3-1 ao intervalo, lançando Samu para o lugar de Oumar Camara. A equipa da casa surgiu mais ligada e instalada no meio-campo adversário.

Apesar de o Moreirense ter ameaçado primeiro, por Diogo Travassos (55’), o Vitória respondeu com perigo crescente: cabeceamento de Gustavo Silva (58’), remates de Samu e Diogo Sousa (64’), antes do lance decisivo da grande penalidade.

Vitória segura até ao fim

Depois do golo, o Vitória manteve o controlo do jogo, com destaque para a influência de Saviola no corredor esquerdo, e esteve mais perto do segundo golo do que o Moreirense do empate, até ao apito final.

Com este resultado, o Vitória SC sobe provisoriamente ao oitavo lugar, com 28 pontos, ficando a apenas dois do Moreirense, que segue na sexta posição da tabela classificativa.

Luís Pinto, treinador do Vitória de Guimarães, em declarações na sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques, após o triunfo (1-0) sobre o Moreirense.

Luís Pinto admite correção decisiva ao intervalo: “A entrada do Samu deu-nos critério e vantagem”

Técnico do Vitória reconhece que plano inicial não resultou e destaca impacto das alterações na vitória frente ao Moreirense

Luís Pinto, treinador do Vitória de Guimarães, reconheceu este sábado, na sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques, que a estratégia inicial não produziu os efeitos desejados no triunfo por 1-0 frente ao Moreirense, sublinhando que a mudança efetuada ao intervalo foi determinante para o desfecho do dérbi concelhio.

Análise ao jogo

“O plano passava por termos quatro homens com características muito verticais. O Nélson acabava por ser o menos vertical dos quatro. Sabíamos que o Moreirense ia jogar com um central adaptado e acreditávamos que, ao construirmos a três, eles cairiam numa linha de cinco, como é habitual. Isso não aconteceu e não nos deu a vantagem que esperávamos”, explicou.

O treinador vitoriano destacou a entrada de Samu como fator-chave:
“A entrada do Samu deu-nos vantagem porque nos permitiu ir buscar jogo a um espaço onde não estávamos a conseguir. Deu critério, fez a ligação ofensiva e isso foi muito importante. Não foi um jogo espetacular da nossa parte, mas o domínio acabou por ser nosso. O Moreirense teve bola, mas sentíamos que estávamos quase sempre bem posicionados para impedir situações de perigo.”

Equipa partida na primeira parte

Luís Pinto reconheceu ainda algumas dificuldades na organização coletiva antes do intervalo:
“Quando éramos pressionantes, fomos eficazes a recuperar a bola. Mas quando o Moreirense, pela sua qualidade, encontrou forma de dificultar essa pressão, passou a ter mais posse. Os extremos do lado oposto estavam demasiado projetados e isso partiu a equipa. Foi um problema. Na segunda parte estivemos melhores nesse aspeto e não me recordo de lances em que eles conseguissem variar o jogo com perigo.”

Ndoye e o impacto a partir do banco

Questionado sobre Alioune Ndoye, que ganhou o penálti decisivo, o técnico explicou a lógica da sua utilização:
“Hoje o futebol é diferente, podemos fazer cinco substituições e preparamos também a forma como queremos terminar os jogos. O Moreirense sofre mais golos nos últimos 15 minutos do que em qualquer outro período. Sentimos que era importante ter alguém com essa crença final, capaz de entrar e fazer a diferença.”

Luís Pinto lembrou ainda o percurso recente do avançado:
“Com o Estoril fez um jogo interessante, tem evoluído, embora tenha sido infeliz na finalização. Hoje não marcou, mas deixou a sua marca ao ganhar o penálti. Para a semana logo veremos qual será o plano.”

Com esta vitória, o Vitória SC voltou aos triunfos e ganhou novo fôlego na luta pelos lugares cimeiros da tabela.

Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, em declarações na sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques, após a derrota (1-0) frente ao Vitória.

Vasco Botelho da Costa orgulhoso apesar da derrota: “Fizemos um jogo fantástico”

Técnico do Moreirense elogia exibição da equipa no dérbi e aponta falhas apenas na decisão final

Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, mostrou-se satisfeito com a prestação da sua equipa, apesar da derrota por 1-0 frente ao Vitória de Guimarães, em declarações na sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques, sublinhando que o desfecho acabou por ser decidido nos detalhes.

Análise ao jogo

“O Vitória foi melhor a partir do golo. No início da segunda parte não tivemos tanta acutilância, mas até aí o Vitória também não estava a ser perigoso. Fizemos um jogo fantástico”, começou por afirmar.

O técnico destacou ainda a exibição de Stjepanovic, adaptado a uma posição pouco habitual:
“Trabalhou esta semana numa posição que não é a dele e fez um jogo fantástico. O penálti não é um erro dele, são erros lá atrás que não podem acontecer. Entrámos por dentro, por fora, criámos condições. O nosso grande pecado foi a tomada de decisão no último momento.”

Vasco Botelho da Costa revelou que a equipa leu bem o plano adversário:
“Percebemos claramente a estratégia do Luís, que passava por forçar a nossa linha defensiva, partindo do princípio da nossa limitação. Controlámos muito bem. Não posso apontar nada aos jogadores, se calhar aponto mais a mim. Fizemos um grande jogo, num estádio difícil e contra uma equipa que não é qualquer uma.”

ADN do clube: encontrar soluções

Questionado sobre a versatilidade da equipa, o treinador foi claro:
“O nosso ADN é arranjar soluções. Costumamos montar a linha de cinco a defender à direita e hoje montámos à esquerda, foi um ajuste simples e na prática não mudou muito. Normalmente jogamos em 4x4x2 e, quando fechamos a cinco, é o Travassos que o faz.”

E reforçou:
“Fizemos um jogo muito bom com bola e, sem bola, estivemos bem até ao golo. Temos sido uns campeões: vamos aos duelos, à primeira e à segunda bola. O Vitória gosta muito de pressionar e nós não nos inibimos.”

Aspirações mantêm-se

Sobre os objetivos na classificação, Vasco Botelho da Costa afastou qualquer dramatismo:
“A aspiração principal é que o mercado feche para estabilizar o grupo. O projeto do Moreirense está em mudança, com saídas e entradas que exigem adaptação.”

O treinador concluiu com pragmatismo:
“As nossas aspirações são simples: chegar aos 35 pontos. Acabamos este jogo com os mesmos pontos. Agora o foco é analisar este jogo e preparar o próximo, frente ao Gil Vicente.”

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