O Gil Vicente venceu este domingo o Famalicão por expressivos 5-0, em encontro da 20.ª jornada da I Liga portuguesa, resultado que permitiu aos barcelenses subir, à condição, ao quarto lugar da tabela classificativa.
O jogo ficou praticamente decidido ainda na primeira parte, após a expulsão de Mathias de Amorim, aos 42 minutos, por agressão a Santi García. Na sequência do lance, Murilo converteu com sucesso a grande penalidade, aos 44 minutos, colocando o Gil Vicente em vantagem ao intervalo.
Na segunda parte, a superioridade numérica foi bem aproveitada pela equipa da casa. Buatu ampliou o marcador aos 53 minutos, na sequência de um canto, e Gustavo Varela, lançado a partir do banco, resolveu definitivamente o encontro ao apontar dois golos, aos 80 e 84 minutos. Já em tempo de compensação, Santi García fechou a goleada, aos 90 minutos, após assistência de Murilo.
Com este triunfo, o Gil Vicente regressou às vitórias e soma agora 34 pontos, ultrapassando provisoriamente o Sporting de Braga, que tem menos um ponto e ainda joga nesta jornada. Já o Famalicão, que vinha de duas vitórias consecutivas, caiu para o sétimo lugar, mantendo os 29 pontos.
A equipa de Barcelos foi sempre mais intensa e dominadora, tendo visto ainda dois golos anulados por fora de jogo na primeira parte, antes de construir um resultado expressivo que reflete a diferença exibicional, sobretudo após a expulsão no conjunto famalicense.
César Peixoto: “O triunfo do Gil Vicente não merece contestação”
César Peixoto mostrou-se plenamente satisfeito com a exibição do Gil Vicente após a goleada por 5-0 frente ao Famalicão, sublinhando, na sala de imprensa, que a vitória foi justa e construída mesmo antes da expulsão do adversário.
Análise ao jogo
“Sabíamos que ia ser um jogo difícil contra uma boa equipa. Abordámos o jogo da melhor forma e, mesmo quando estava 11 para 11, fomos a melhor equipa. Tivemos mais capacidade de gerir o jogo e, em 90 minutos, o Famalicão não teve um remate enquadrado. Depois da expulsão ficou mais fácil porque soubemos lidar com isso”, afirmou.
O treinador destacou ainda a maturidade da equipa num momento que poderia ser delicado: “Quando às vezes há uma expulsão é perigoso. Pedi-lhes cabeça fria, mas coração quente. Só vale três pontos, mas fazer um jogo destes com o Famalicão deixa-nos satisfeitos”.
Importância de Santi García
Peixoto elogiou a influência de Santi García, mas fez questão de sublinhar o coletivo: “É um jogador muito importante para nós, quer com bola, quer sem bola. É agressivo na pressão. O Santi fez um bom jogo, mas o Carlos também. A equipa vale pelo seu todo e tem provado isso ao longo do campeonato”.
O técnico reforçou a ambição da equipa: “Quando está 1-0 queremos o dois, quando está dois queremos o três e o quatro. Anularam-nos dois golos quando estava 11 para 11, fizemos cinco, por isso fomos melhores ao longo dos 90 minutos”.
Gestão dos avançados
Sobre a titularidade de Carlos Eduardo e o impacto de Gustavo Varela, César Peixoto lembrou que os avançados vivem dos golos: “O Gustavo foi titular sete jogos e não marcou, hoje saiu do banco e fez dois golos. O Carlos Eduardo começou a dar sinais de que estava a perceber a nossa ideia. Fez um bom jogo, trabalhou muito, mesmo sem marcar”.
“Sinto-me um treinador feliz por ter esta dor de cabeça. O Varela é importante, é a primeira experiência dele na I Liga e hoje encontrou o golo. Tenho um plantel muito completo”, acrescentou.
Ambição com os pés assentes no chão
Questionado se resultados destes permitem sonhar mais alto, o técnico foi cauteloso: “Não vamos ganhar 5-0 em todos os jogos e os adeptos têm de perceber isso. O primeiro objetivo está conseguido. Temos mais dois pontos do que na primeira volta. Pensamos jogo a jogo, porque no futebol tudo muda muito rápido”.
Ainda assim, deixou claro o espírito da equipa: “O que a equipa demonstra é que quer lutar sempre pelos três pontos”.
Hugo Oliveira: “Quase entregámos o jogo e isso não é o ADN do Famalicão”
Hugo Oliveira foi crítico consigo e com a equipa após a derrota pesada frente ao Gil Vicente, assumindo, na sala de imprensa, que a expulsão acabou por condicionar de forma decisiva o comportamento do Famalicão em campo.
O que se passou hoje?
“Acima de tudo acho que a expulsão nos condicionou. Até aquele momento o jogo estava muito tático e dividido. A partir daí, o jogo tomou um caminho que não podia tomar. Quase que entregámos o jogo e quase que desistimos. Esse não é o ADN deste grupo e temos de dar uma forte resposta”, afirmou o treinador.
O técnico lamentou ainda a imagem deixada perante os adeptos: “Só valeram três pontos, mas os adeptos que vieram cá, que estiveram connosco do início ao fim, não mereciam isto. O Gil Vicente tem uma equipa competitiva e madura e soube aproveitar um ato infantil da nossa parte”.
Hugo Oliveira reforçou a necessidade de reação: “Nas dificuldades temos de ser resilientes. É nos dias de tempestade que se mostra o valor. Essa não é a nossa forma de estar”.
Ainda acreditou nos pontos?
Apesar do desfecho, o treinador garantiu que nunca deixou de acreditar: “O jogo só acaba quando o árbitro apita para o final e eu acredito sempre. Tentámos dar mais energia à equipa, refrescar o meio-campo, mas mais do que uma questão tática, ficou provado que a parte mental é muito importante”.
“O Gil Vicente marcou de bola parada, como nós também podíamos ter marcado”, concluiu.
Ficha de Jogo
Jogo no Estádio Cidade de Barcelos, em Barcelos.
Gil Vicente – Famalicão, 5-0.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores
1-0, Murilo, 44 minutos (grande penalidade).
2-0, Buatu, 53.
3-0, Gustavo Varela, 80.
4-0, Gustavo Varela, 84.
5-0, Santi García, 90.
Equipas
– Gil Vicente: Lucão, Zé Carlos (Hevertton Santos, 82), Elimbi (Antonio Espigares, 66), Buatu, Konan, Facundo Cáseres (Zé Carlos, 66), Santi García, Luís Esteves, Tidjany Touré (Joelson Fernandes, 75), Carlos Eduardo (Gustavo Varela, 66) e Murilo.
(Suplentes: Dani Figueira, Hevertton Santos, Espigares, Zé Carlos Ferreira, Sergio Bermejo, Gustavo Varela, Joelson Fernandes, Héctor Hernández e Agustín Moreira).
Treinador: César Peixoto.
– Famalicão: Carevic, Gustavo Garcia, Ibrahima Ba, Justin de Haas, Pedro Bondo, Tom van de Looi (Mamageishvili, 78), Mathias de Amorim, Gustavo Sá (Marcos Peña, 62), Gil Dias (Pedro Santos, 78), Simon Elisor (Umar Abubakar, 62) e Sorriso (Antoine Joujou, 63).
(Suplentes: Zlobin, Léo Realpe, Renan Santana, Mamageishvili, Marcos Peña, Gonzalo Pastor, Pedro Santos, Umar Abubakar e Antoine Joujou).
Treinador: Hugo Oliveira.
Árbitro: Anzhony Rodrigues (AF Madeira).
Ação disciplinar: Cartão amarelo para Elimbi (21) e Umar Aboubakar (82). Cartão vermelho direto para Mathias de Amorim (42).
Assistência: 5.745 espetadores.
































