Hospital de Guimarães integra projeto transfronteiriço de 1,5 milhões de euros

Iniciativa na Eurorregião Galiza–Norte aposta em exoesqueletos e soluções inovadoras para apoiar cuidadores

A Unidade Local de Saúde do Alto Ave (ULSAAVE), que integra o Hospital de Guimarães, foi selecionada para participar num novo projeto transfronteiriço com um investimento superior a 1,5 milhões de euros, promovido a partir da Galiza e centrado na Eurorregião Galiza–Norte de Portugal.

A iniciativa reforça o papel colaborativo das unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na cooperação internacional e destaca o reconhecimento técnico e científico da instituição minhota.

Reconhecimento da capacidade técnica e científica

Em comunicado, a ULSAAVE sublinha que a participação neste projeto constitui “uma boa notícia” para a instituição e para o SNS, evidenciando a qualidade das suas unidades e o seu reconhecimento além-fronteiras.

A escolha da unidade resulta, segundo a mesma nota, das suas competências técnicas e científicas, nomeadamente da existência de um Centro de Investigação Clínica (CIC), que permite a realização de ensaios de protótipos em ambiente clínico e não clínico, e da capacidade diferenciada do Serviço de Neurologia, sustentada por estudos e publicações de referência.

Resposta ao envelhecimento demográfico

O projeto reúne mais de uma dezena de entidades de ambos os lados da fronteira, incluindo organismos da administração pública, instituições de investigação, entidades académicas e associações setoriais, promovendo uma abordagem colaborativa e multidisciplinar.

A iniciativa surge como resposta a um desafio estrutural que marca o setor da saúde na Eurorregião, caracterizada por elevados índices de envelhecimento demográfico e consequente aumento da procura sobre os sistemas de apoio.

Neste contexto, os cuidadores — profissionais e informais — assumem um papel central na prestação de cuidados a pessoas idosas e dependentes, exigindo soluções inovadoras que reforcem as suas condições de trabalho e proteção.

Desenvolvimento de exoesqueletos e redução de lesões

Entre as principais metas está o desenvolvimento de soluções tecnológicas de assistência, com especial enfoque em exoesqueletos, bem como a criação de dispositivos destinados a reduzir lesões musculoesqueléticas, sobretudo ao nível lombar e dorsal — uma das principais causas de absentismo entre cuidadores.

O projeto prevê ainda ações de formação especializadas e uma análise aprofundada das necessidades no terreno, garantindo que as soluções desenvolvidas respondem de forma eficaz às realidades identificadas.

ULSAAVE coordena sustentabilidade e replicação

No âmbito do projeto, a ULSAAVE terá responsabilidades específicas no Living Lab de soluções de cuidados, promovendo a avaliação das tecnologias em contextos reais.

Compete-lhe também coordenar a fase de sustentabilidade, democratização e transferibilidade das soluções desenvolvidas, assegurando a sua viabilidade económica e a possibilidade de replicação noutros territórios.

Entre os objetivos estratégicos destaca-se a criação de um modelo de exoesqueleto de baixo custo e, numa fase posterior, a implementação de um banco de exoesqueletos de utilização partilhada, inspirado em experiências de referência, promovendo um acesso mais alargado, equitativo e sustentável a estas tecnologias.

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