Arsenalistas estiveram na frente, mas FC Porto operou reviravolta e reforça liderança na Liga
O SC Braga esteve a vencer, mas acabou derrotado em casa pelo FC Porto por 2-1, num jogo intenso da 27.ª jornada da I Liga, disputado no Estádio Municipal de Braga.
Zalazar colocou Braga na frente
Depois de uma primeira parte equilibrada e com poucas oportunidades claras, os minhotos entraram mais fortes no segundo tempo. Aos 54 minutos, Rodrigo Zalazar converteu uma grande penalidade, colocando o Braga em vantagem e fazendo explodir a “Pedreira”.
Reação eficaz dos dragões
A resposta do FC Porto não demorou. A equipa orientada por Francesco Farioli cresceu no jogo com as substituições e chegou ao empate aos 69 minutos, por William Gomes, após um erro defensivo dos bracarenses.
A reviravolta consumou-se aos 80 minutos, com Seko Fofana a aproveitar uma bola solta na área para fazer o 2-1.
Braga sem força na reta final
Nos minutos finais, o SC Braga acusou o desgaste físico, fruto também da exigência europeia a meio da semana, e mostrou dificuldades em reagir.
Já o FC Porto controlou o jogo e esteve até perto de ampliar a vantagem.
Impacto na classificação
Com este triunfo, os portistas mantêm uma vantagem confortável na liderança do campeonato, enquanto o Braga vê o FC Famalicão aproximar-se perigosamente do quarto lugar.
Num duelo de alto nível, decidido nos detalhes, foi a eficácia e a profundidade do banco do FC Porto a fazer a diferença numa noite amarga para os minhotos.
Carlos Vicens, treinador do Sp. Braga, em declarações na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga, após a derrota (1-2) na receção ao FC Porto
Treinador do SC Braga lamenta derrota frente ao FC Porto, sublinha impacto dos detalhes e rejeita baixar linhas após vantagem
Análise ao jogo
Após a derrota por 1-2 frente ao FC Porto, na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga, Carlos Vicens fez uma leitura detalhada de um encontro que considerou equilibrado, mas decidido por pormenores. O técnico dos minhotos reconheceu as dificuldades impostas pelo adversário, destacando a intensidade e agressividade da equipa portista.
“Foi um jogo difícil, como já esperávamos. Enfrentámos uma equipa muito agressiva, que condicionou a nossa pressão. Têm muita qualidade tanto no processo ofensivo como defensivo. Custou-nos entrar no jogo, mas fomos crescendo, equilibrando e subindo no terreno”, começou por explicar.
O momento do golo bracarense, apontado de grande penalidade, trouxe uma mudança na dinâmica da partida, mas Vicens lamenta o desfecho: “Sabe mal perder num lance de bola parada, já perto do fim. Em jogos tão equilibrados, são estes detalhes que fazem a diferença. Há muitos aspetos a melhorar para conquistarmos os pontos que pretendemos.”
Eficácia e detalhes que decidem
O treinador espanhol destacou as semelhanças com o jogo da primeira volta, reforçando a ideia de que os detalhes voltaram a ser determinantes. Apesar de a equipa estar preparada para as armas do adversário, acabou por não conseguir evitar o desfecho negativo.
“Já sabíamos da capacidade do Porto para explorar a profundidade. Mesmo assim, mantivemos o nosso plano com o 1-0, sem recuar. Estávamos também alertados para as bolas paradas, sobretudo para as segundas e terceiras bolas, onde têm sido particularmente eficazes. Infelizmente, isso voltou a custar-nos pontos esta temporada”, referiu.
Fidelidade ao modelo de jogo
Questionado sobre a decisão de não baixar linhas após o golo, Vicens foi claro: não abdica da identidade da equipa.
“Nunca saberemos o que teria acontecido se recuássemos, mas acreditamos no nosso caminho. Defender muito tempo perto da área aumenta a probabilidade de sofrer, seja por cantos, remates ou erros. Quanto mais longe estivermos da nossa baliza, menor esse risco. A equipa sente-se mais confortável com bola do que a defender em bloco baixo”, afirmou.
E reforçou: “Não vamos mudar a nossa forma de jogar. Queremos continuar a evoluir, mantendo a nossa identidade.”
Duelo físico e resposta da equipa
Vicens destacou ainda a capacidade física do adversário, apontando-a como uma das principais armas do FC Porto, mas considerou que a sua equipa esteve à altura durante largos períodos do encontro.
“Conhecíamos bem a intensidade do Porto, a forma como disputam as segundas bolas e exploram o jogo direto. Conseguimos, em grande parte do jogo, neutralizar essas características. No entanto, faltou-nos mais presença ofensiva e profundidade para criar mais perigo”, analisou.
Foco no objetivo europeu
Apesar do desaire, o treinador garante que o foco permanece inalterado na luta pelos lugares europeus, apontando já ao próximo desafio.
“Estamos a lutar desde o início da época e isso não vai mudar agora. O nosso pensamento está no próximo jogo, frente ao Moreirense, fora de casa, que será um adversário difícil. Vamos preparar-nos bem para ir lá conquistar os três pontos”, concluiu.
Francesco Farioli, treinador do FC Porto, em declarações na conferência de imprensa, após a vitória na visita ao Sporting de Braga (2-1), na 27.ª jornada da Liga.
Treinador do FC Porto destaca resposta da equipa após adversidades frente ao SC Braga e explica festejos fora do habitual
Entrada forte e resposta à adversidade
Na conferência de imprensa após a vitória por 2-1 em Braga, Francesco Farioli destacou a exibição consistente da sua equipa, sublinhando a capacidade de reação após o golo sofrido e a forma como os dragões controlaram largos períodos do encontro.
“Jogámos muito bem. Foi um jogo feito de momentos, mas começámos com uma intensidade de topo, muito fortes com e sem bola, sempre no meio-campo adversário e com coragem”, analisou o técnico italiano.
Farioli elogiou ainda o adversário, reconhecendo as dificuldades impostas pelo conjunto minhoto: “Defrontámos uma equipa muito bem treinada, com um estilo único, assente em passes curtos e muita gente envolvida. É muito difícil recuperar-lhes a bola, mas conseguimos fazê-lo.”
Apesar de uma quebra nos minutos finais da primeira parte, o treinador garante que a equipa manteve o controlo: “Baixámos um pouco o nível, mas não concedemos oportunidades. Na segunda parte, reagimos muito bem a uma situação discutível e mostrámos caráter.”
Impacto dos suplentes e espírito coletivo
O técnico portista destacou o contributo dos jogadores vindos do banco, bem como o envolvimento de todo o grupo no esforço coletivo.
“A entrada dos suplentes foi muito positiva. Mesmo os jogadores de fora, como Thiago Silva e Alan, foram como dois treinadores no final do jogo, a ajudar a equipa até ao último minuto”, revelou.
Farioli, habitualmente contido, justificou também a celebração mais efusiva: “Sou sempre muito calmo, mas hoje, pelo menos durante algumas horas, merecemos celebrar. Foi um grande jogo e um resultado muito importante.”
Registo pontual e foco no futuro
Com este triunfo, o FC Porto atinge os 72 pontos, ultrapassando já o registo da temporada anterior. Ainda assim, o treinador mantém os pés bem assentes na terra.
“Disse ontem que ainda tínhamos oito jogos pela frente, agora temos um a menos. Estou feliz, claro, mas isto é o que é. Temos de dar algum descanso a certos jogadores, muitos vão às seleções, e depois preparar o próximo jogo com o Famalicão, que está num excelente momento”, afirmou.
Pausa para seleções não altera ambição
A vitória surge antes da interrupção para compromissos internacionais, algo que Farioli considera positivo, mas sem impacto na abordagem da equipa.
“É bom ir para a pausa com estas sensações, mas nada muda. Temos trabalhado sempre no limite. Ainda recentemente qualificámo-nos para os quartos de final da Liga Europa e praticamente não tivemos tempo para celebrar”, recordou.
O técnico destacou que o entusiasmo demonstrado após o jogo reflete um acumular de emoções: “Esta celebração é uma mistura de tudo o que fizemos e não pudemos aproveitar. Às vezes também é importante desfrutar um pouco.”
“Sacrifício define esta equipa”
Por fim, Farioli voltou a desvalorizar os festejos, reforçando a ideia de foco total na caminhada até ao final da época.
“Três pontos são três pontos e nada mais. O que me deixa satisfeito é a capacidade da equipa para enfrentar adversidades que não controlamos”, sublinhou.
O treinador destacou ainda um momento simbólico: “A forma como o Fofana defendeu nos últimos minutos é a imagem desta equipa. Sacrifício total. E os nossos adeptos fizeram-nos sentir em casa. Isso deu-me o ‘luxo’ de celebrar durante alguns segundos.”
Ficha de Jogo
Jogo disputado no Estádio Municipal de Braga.
SC Braga – FC Porto, 1-2.
Ao intervalo: 0-0.
Marcadores
1-0, Zalazar, 54 minutos (grande penalidade).
1-1, William Gomes, 69.
1-2, Fofana, 80.
Equipas
– SC Braga: Hornicek, Lagerbielke, Niakaté (Moscardo, 63), Arrey-Mbi, Victor Gómez (Dorgeles, 86), Grillitsch, João Moutinho (Gorby, 86), Diego Rodrigues (Gabri Martínez, 63), Zalazar, Ricardo Horta e Pau Víctor (Fran Navarro, 86).
(Suplentes: Tiago Sá, Paulo Oliveira, Lelo, Moscardo, Gorby, Tiknaz, Dorgeles, Gabri Martínez e Fran Navarro).
Treinador: Carlos Vicens.
– FC Porto: Diogo Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Kiwior, Zaidu, Alan Varela (Pablo Rosario, 67), Froholdt, Gabri Veiga (Fofana, 67), Pepê (William Gomes, 55), Pietuszewski (Borja Sainz, 78) e Deniz Gul (Terem Moffi, 55).
(Suplentes: Cláudio Ramos, Alberto Costa, Thiago Silva, Francisco Moura, Pablo Rosario, Fofana, William Gomes, Borja Sainz e Terem Moffi).
Treinador: Francesco Farioli.
Árbitro: António Nobre (Associação de Futebol de Leiria).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Lagerbielke (15), Alan Varela (30), Niakaté (34), Gabri Veiga (51), Zalazar (54), Pablo Rosario (73), Terem Moffi (74), Fofana (80) e Gorby (90+6).
Assistência: 25.611 espetadores.
































