Rock in Rio Lisboa 2026: Linkin Park emocionam Parque Tejo numa noite de rock, nostalgia e multidões

Segunda jornada do festival trocou a energia latina por uma programação marcada pelo rock alternativo, hip-hop clássico e regressos muito aguardados

O segundo dia do Rock in Rio Lisboa, realizado no Parque Tejo, em Lisboa, ficou marcado por uma mudança clara de ambiente face à jornada anterior. A pop e o funk brasileiros deram lugar a uma noite dominada pelo rock, pela nostalgia e por atuações que atraíram dezenas de milhares de pessoas ao recinto.

Com camisolas coloridas a dar lugar ao preto e com o público mais focado no palco e nas bandas do que nos telemóveis, o festival apresentou um alinhamento dividido entre três propostas distintas: a energia indie dos Kaiser Chiefs, o hip-hop clássico dos Cypress Hill e o rock alternativo dos Hoobastank, culminando no regresso altamente aguardado dos Linkin Park.

Kaiser Chiefs abrem a noite com energia contagiante

No Palco Super Bock, os Kaiser Chiefs foram os primeiros a subir ao palco e rapidamente estabeleceram uma forte ligação com o público. A banda britânica arrancou aplausos logo nos primeiros minutos com “The Factory Gates”, seguindo-se momentos de grande adesão em temas como “Everyday I Love You Less and Less”.

A atuação ganhou especial significado por assinalar os 20 anos do álbum de estreia Employment, que inclui clássicos como “I Predict a Riot” e “Oh My God”. Ricky Wilson destacou-se pela interação constante com o público, incluindo momentos de improviso e contacto direto com os fãs, chegando a elogiar Portugal como um dos seus destinos preferidos para atuar ao vivo.

O concerto atingiu o seu ponto mais alto em “Ruby”, “I Predict a Riot” e “The Angry Mob”, com o vocalista a descer do palco e a envolver-se diretamente com a estrutura técnica e com a multidão, num espetáculo de grande intensidade e participação coletiva.

Cypress Hill enfrentam uma audiência já centrada no momento seguinte

Já no Palco Mundo, os Cypress Hill subiram ao palco perante um recinto praticamente cheio, embora com grande parte do público já focado no concerto dos Linkin Park, que encerraria a noite.

Ainda assim, o grupo norte-americano manteve a sua reputação enquanto referência do hip-hop da Costa Oeste, combinando beats clássicos com uma forte influência rock. Apesar da qualidade da performance, a receção do público foi irregular, com menor interação visual do que o habitual em grandes temas como “Insane in the Brain”.

A atuação ficou ainda marcada por uma interrupção devido a uma emergência médica no público, o que acabou por impedir a conclusão do alinhamento previsto.

Hoobastank levam público numa viagem aos anos 2000

Os Hoobastank subiram ao Palco Super Bock num registo mais intimista, mas encontraram uma plateia bastante envolvida, apesar de o espaço não estar totalmente preenchido.

Com uma ligação próxima ao público, a banda norte-americana revisitou o rock alternativo dos anos 2000, num concerto marcado pela simplicidade e pela forte resposta emocional dos fãs. O ponto alto chegou com “The Reason”, transformando o recinto numa viagem nostálgica para muitos dos presentes.

40 anos depois, Sepultura despedem-se de Portugal com concerto intenso e caótico (como se queria)

Banda brasileira encerra passagem histórica com atuação visceral, marcada por energia crua, comunhão com o público e o caos típico do metal que definiu gerações

Quatro décadas depois de começarem a escrever o seu nome na história do metal, os Sepultura despediram-se de Portugal com um concerto tão intenso quanto caótico, fiel ao espírito que sempre definiu a banda brasileira.

A atuação, marcada por uma energia constante e por uma ligação quase física ao público, serviu como um adeus carregado de simbolismo, nostalgia e brutalidade sonora, num espetáculo que não deixou margem para indiferença.

Um adeus à altura de uma carreira lendária

O concerto foi vivido como um momento de celebração e despedida, com o público a responder desde o primeiro momento à intensidade da banda. Ao longo do alinhamento, os Sepultura percorreram diferentes fases da sua carreira, alternando entre temas clássicos e momentos mais recentes, sempre com uma execução agressiva e sem concessões.

A entrega em palco foi total, com a banda a apostar num som cru, direto e pesado, mantendo intacta a identidade que os tornou uma das formações mais influentes do metal extremo mundial.

Caos controlado e energia partilhada com o público

O ambiente no recinto rapidamente evoluiu para aquilo que muitos já esperavam: uma explosão de energia coletiva. Mosh pits, movimento constante na plateia e uma resposta visceral a cada riff criaram uma atmosfera de caos controlado, onde público e banda pareciam fundir-se num só organismo.

Mais do que um concerto, a noite assumiu a forma de ritual de despedida, com forte carga emocional e uma sensação de encerramento de ciclo.

Um final à altura de 40 anos de história

Sem recorrer a artifícios ou momentos excessivamente produzidos, os Sepultura optaram por um registo direto e poderoso, em linha com a sua trajetória. A despedida de Portugal foi feita da forma mais autêntica possível: com volume, intensidade e entrega total.

Para os fãs, ficou a sensação de um adeus coerente com o legado da banda — intenso, imperfeito, mas absolutamente fiel ao espírito que os acompanhou ao longo de 40 anos de carreira.

Linkin Park encerram a noite com emoção e nostalgia no Parque Tejo

O momento mais aguardado da noite chegou às 23h20, quando os Linkin Park subiram ao Palco Mundo perante um recinto esgotado, com cerca de 90 mil pessoas no Parque Tejo.

A abertura fez-se com “The Emptiness Machine”, tema do álbum From Zero (2024), sinalizando desde cedo que o grupo procurava equilibrar o passado com a nova fase. A presença de Emily Armstrong, que assumiu recentemente o papel de vocalista após a morte de Chester Bennington em 2017, esteve no centro da atenção do público.

Ao longo do concerto, sucederam-se momentos de forte intensidade emocional, com “Crawling” e “Lost” a gerarem alguns dos pontos mais marcantes da noite. A energia regressou em força com “Two Faced” e “One Step Closer”, onde surgiram os primeiros mosh pits da jornada.

A nostalgia atingiu o auge com “Breaking the Habit” e sobretudo com “In the End”, num dos momentos mais simbólicos da atuação, seguido por uma reta final com “What I’ve Done”, “Numb” e “Faint”.

Apesar da dimensão emocional do concerto, o espetáculo ficou também marcado por algumas críticas do público, nomeadamente relacionadas com problemas técnicos pontuais e pela sensação de menor fluidez em certos momentos da atuação.

Uma noite dominada pela memória e pela dimensão dos clássicos

O segundo dia do Rock in Rio Lisboa confirmou a força dos grandes nomes do rock e do hip-hop nas memórias coletivas do público, num alinhamento onde a nostalgia teve tanto peso como a energia em palco.

Entre atuações intensas, momentos emocionais e um recinto em grande escala, a noite ficou sobretudo marcada pelo regresso dos Linkin Park a Portugal, num espetáculo que reforçou o seu estatuto como uma das bandas mais influentes da sua geração.

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