Empreitada de mais de 11 milhões de euros já foi consignada e promete transformar um dos principais pontos de congestionamento da cidade. Trabalhos vão decorrer durante 660 dias e obrigam à implementação de um plano especial para minimizar os impactos na mobilidade.
O arranque da aguardada obra de requalificação do Nó de Infias já é uma realidade. A Infraestruturas de Portugal (IP) e o Grupo ABB – Alexandre Barbosa Borges assinaram esta quinta-feira o auto de consignação da empreitada, marcando oficialmente o início daquela que é considerada uma das intervenções rodoviárias mais importantes realizadas em Braga nas últimas décadas.
Com um investimento superior a 11 milhões de euros e um prazo de execução de 660 dias, a obra pretende eliminar um dos principais estrangulamentos da circulação automóvel na cidade, aumentando a capacidade de um dos seus acessos mais movimentados e melhorando significativamente as condições de mobilidade para automobilistas, transportes públicos, peões e ciclistas.
João Rodrigues: “Passamos definitivamente dos projetos à obra”
A assinatura da consignação decorreu na sede da Infraestruturas de Portugal, em Almada, onde o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, classificou este momento como histórico para o concelho.
“Chegou finalmente o momento. Durante demasiado tempo falou-se desta intervenção sem que fosse possível avançar para a sua concretização. Hoje passamos definitivamente dos projetos à obra.”
O autarca recordou que o Nó de Infias foi, durante muitos anos, um símbolo das dificuldades de mobilidade da cidade.
“Durante demasiado tempo, o Nó de Infias foi sinónimo de espera. A partir de hoje, passa a ser sinónimo de obra.”
João Rodrigues considera que esta será, muito provavelmente, a maior intervenção rodoviária realizada em Braga nas últimas décadas.
Embora reconheça que não resolverá todos os problemas de mobilidade do concelho, acredita que permitirá eliminar um dos maiores pontos de congestionamento da rede viária bracarense, melhorando de forma significativa a fluidez do trânsito.
Primeira fase terá impacto reduzido
Segundo a Câmara Municipal de Braga, a empreitada será desenvolvida por fases.
Numa fase inicial, os trabalhos terão um impacto reduzido na circulação automóvel, permitindo que a mobilidade continue a decorrer com relativa normalidade.
À medida que a obra evoluir, serão inevitáveis alguns condicionamentos de maior dimensão, sobretudo numa das zonas com maior volume diário de tráfego da cidade.
Trabalhos mais críticos decorrerão durante a noite
Consciente dos constrangimentos que uma intervenção desta dimensão poderá causar, o Município de Braga assegura que tem vindo a trabalhar em articulação permanente com a Infraestruturas de Portugal, com a fiscalização da obra e com o empreiteiro para minimizar os impactos na circulação.
Sempre que as condições técnicas o permitam, as operações mais condicionantes serão realizadas durante o período noturno.
“Estamos a desenvolver um trabalho conjunto para reduzir esses impactos ao mínimo indispensável. Sempre que as condições técnicas o permitam, os trabalhos mais condicionantes serão realizados durante a noite”, garantiu João Rodrigues.
O presidente da Câmara apelou ainda à compreensão dos bracarenses durante o período de execução da obra.
“Esta intervenção exigirá um esforço de adaptação por parte de quem vive, trabalha ou circula em Braga. Essa compreensão será fundamental para que, dentro de menos de dois anos, possamos beneficiar de uma cidade com uma mobilidade mais eficiente, mais segura e mais preparada para o futuro.”
Município cria Plano Municipal de Acompanhamento
Em paralelo com o início da empreitada, o Município irá colocar em funcionamento um Plano Municipal de Acompanhamento da Obra do Nó de Infias.
Este mecanismo permitirá acompanhar permanentemente a evolução dos trabalhos e ajustar, sempre que necessário, novas medidas destinadas a reduzir os impactos na circulação.
O objetivo passa também por garantir informação atualizada e atempada à população sobre cada fase da intervenção.
Medidas de mitigação já definidas
Entre as primeiras medidas previstas destacam-se:
- Implementação de um plano faseado de desvios provisórios de trânsito, ajustado à evolução da obra;
- Reforço da sinalização nas principais entradas da cidade para incentivar a utilização de percursos alternativos;
- Criação de uma nova interface dos Transportes Urbanos de Braga (TUB) junto ao Estádio Municipal, acompanhada pelo reforço das ligações ao centro da cidade e integração com a interface da CIM Cávado;
- Repavimentação da envolvente ao Centro de Saúde de Infias, da Rua Conselheiro Bento Miguel, da Rua de São José e da Avenida General Norton de Matos.
O Município adianta ainda que estão a ser estudadas novas soluções de gestão da mobilidade que serão implementadas sempre que a evolução da obra o justifique.
Mais capacidade, mais segurança e melhor mobilidade
A requalificação do Nó de Infias permitirá aumentar significativamente a capacidade de circulação num dos principais acessos à cidade de Braga.
O projeto prevê a separação dos principais fluxos de tráfego, melhorando a fluidez da circulação automóvel, aumentando a segurança rodoviária e criando melhores condições para peões, ciclistas e transportes públicos.
A intervenção integra uma estratégia mais ampla de reorganização da mobilidade urbana, funcionando de forma complementar à futura Circular Rodoviária Externa de Braga (CREB).
Uma visão estratégica para o futuro da cidade
Para João Rodrigues, esta obra representa apenas o primeiro grande passo de uma estratégia mais ambiciosa para a mobilidade no concelho.
“As cidades não se transformam com uma única obra. Transformam-se com estratégia, persistência e capacidade de concretização. O Nó de Infias é o primeiro grande passo de uma visão mais ampla para a mobilidade de Braga.”
O autarca concluiu sublinhando que o Nó de Infias e a futura CREB constituem duas intervenções complementares, destinadas a responder aos atuais problemas de circulação e a preparar Braga para o crescimento urbano dos próximos anos, tornando a cidade mais acessível, eficiente e sustentável.

































