Sistema de depósito com reembolso já recolheu 100 milhões de embalagens em Portugal. Taxa de devolução atinge os 38%, enquanto entidade gestora garante que os casos de vandalismo são temporários e comuns noutros países europeus.
O sistema de depósito com reembolso de embalagens de bebidas Volta alcançou esta semana a marca das 100 milhões de embalagens devolvidas, pouco tempo após a sua implementação em Portugal. O balanço foi divulgado pela SDR Portugal, entidade responsável pela gestão do sistema, que destaca a crescente adesão dos consumidores e considera que o país está a assistir a uma mudança significativa de hábitos na reciclagem.
Atualmente, o sistema apresenta uma taxa de recolha de cerca de 38%, valor que a entidade espera ver aumentar à medida que a rede de recolha continua a expandir-se.
Adesão cresce de forma consistente
Segundo a SDR Portugal, os resultados demonstram que os portugueses estão a adaptar-se rapidamente ao novo modelo de devolução de embalagens, que permite recuperar o valor do depósito pago no momento da compra.
A entidade considera que os primeiros meses de funcionamento confirmam o potencial do sistema para aumentar a reciclagem e reduzir o abandono de resíduos no espaço público.
Casos de vandalismo preocupam, mas são considerados temporários
A SDR Portugal reconhece que têm surgido episódios de vandalização de contentores do lixo em algumas cidades, motivados pela procura de embalagens com valor de depósito.
Apesar disso, considera que estes casos são localizados e fazem parte da fase inicial de implementação do sistema.
A entidade manifesta disponibilidade para colaborar com municípios, autoridades e operadores económicos na adaptação da infraestrutura e na adoção de soluções que minimizem este tipo de ocorrências.
Experiência europeia aponta para redução do problema
A associação recorda que situações semelhantes foram registadas noutros países europeus quando introduziram sistemas idênticos.
Entre os exemplos referidos estão:
- Alemanha;
- Países Baixos;
- Letónia;
- Irlanda;
- Malta.
Segundo a SDR Portugal, à medida que a população passou a devolver regularmente as embalagens nos locais próprios e a rede de recolha foi reforçada, os episódios de vandalismo diminuíram significativamente.
Na Alemanha, por exemplo, foram instalados suportes exteriores junto dos contentores para facilitar a recolha de embalagens sem necessidade de abrir os recipientes de lixo.
Já na Irlanda, onde o problema foi semelhante ao registado em Portugal, a taxa de recolha ultrapassa atualmente os 90%, enquanto a quantidade de lixo abandonado no espaço público reduziu para cerca de metade.
Portugal ainda tem margem para crescer
Portugal foi o 19.º Estado-membro da União Europeia a implementar um sistema de depósito com reembolso de embalagens.
A infraestrutura conta atualmente com:
- mais de 2.500 pontos automáticos Volta;
- vários pontos de recolha manual;
- uma rede de cerca de 50 quiosques de apoio.
A SDR Portugal considera essencial continuar a expandir esta rede para facilitar a devolução das embalagens e aumentar a taxa de recolha.
Sistema ajuda a cumprir metas ambientais
A entidade sublinha que o sistema Volta constitui uma ferramenta importante para Portugal cumprir as metas europeias de reciclagem.
Segundo a SDR Portugal, o país continua abaixo dos objetivos definidos por Bruxelas e, nos últimos três anos, terá suportado cerca de 600 milhões de euros em penalizações, devido ao incumprimento das metas ambientais.
Além disso, os dados mais recentes indicam que a recolha seletiva para reciclagem se encontra praticamente estagnada, enquanto 54% dos resíduos urbanos continuam a ser encaminhados para aterro.
Volta é financiado por entidades privadas
A SDR Portugal esclarece ainda que o sistema não recorre a financiamento público.
O investimento inicial foi assegurado pelos produtores, embaladores e distribuidores, sendo a operação financiada pelas entidades privadas envolvidas e pelas receitas obtidas através da valorização dos materiais recolhidos.
A associação explica também que os depósitos não reclamados, no valor de 10 cêntimos por embalagem, não constituem lucro da SDR Portugal nem receita para o Estado, sendo integralmente reinvestidos na melhoria e expansão do próprio sistema de depósito com reembolso.



































