Advogado bracarense morreu aos 90 anos. Esteve ligado à Acção Socialista Portuguesa antes do 25 de Abril e liderou o grupo que esteve na origem do PS no concelho de Braga
Morreu esta segunda-feira, aos 90 anos, Artur Carlos D. Cunha Coelho, advogado bracarense e uma das figuras históricas da resistência democrática em Braga durante o Estado Novo. A morte foi anunciada pelo PS Braga, que publicou uma nota de pesar em homenagem ao antigo militante e fundador do Partido Socialista.
Artur da Cunha Coelho teve um papel relevante na organização da oposição democrática em Braga durante o período da ditadura. Antes da fundação formal do PS, integrou a Acção Socialista Portuguesa (ASP), estrutura que antecedeu o partido, assumindo um papel central na organização socialista na região do Minho.
Segundo o PS Braga, liderou o grupo que esteve na origem da estrutura socialista no concelho de Braga, mantendo a actividade política activa numa época marcada pela vigilância policial sobre os movimentos de oposição ao regime.
Uma voz na defesa das liberdades
A intervenção de Artur da Cunha Coelho durante o Estado Novo esteve também ligada à defesa das liberdades e dos direitos fundamentais.
Entre os episódios mais marcantes do seu percurso está a participação no documento colectivo “Sobre o Direito de Reunião: Condenação e Absolvição dos Democratas de Braga”, relacionado com a defesa do direito de reunião e que assumiu relevância no contexto da oposição democrática ao regime.
Advogado de profissão, construiu uma longa carreira nos tribunais e manteve, ao longo dos anos, uma ligação próxima ao Partido Socialista. O PS identifica-o como um dos fundadores da formação política e como o militante número 14.
Próximo de Salgado Zenha e de Mário Soares
A sua ligação à história do PS estendeu-se também a algumas das principais figuras da formação política.
De acordo com a nota divulgada pelo PS Braga, Artur da Cunha Coelho mantinha uma relação de proximidade com Francisco Salgado Zenha, que recebia no seu escritório.
O partido recorda ainda uma fotografia que Artur da Cunha Coelho tinha em lugar de destaque no escritório e na qual surge num comício realizado no Teatro Circo, em Braga, no período que se seguiu ao 25 de Abril, sentado à mesa junto de Mário Soares.
Registos do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta identificam igualmente o advogado bracarense num comício do Partido Socialista realizado em Guimarães, em 1974, num período de intensa reorganização política após a Revolução dos Cravos.
Uma figura da história política de Braga
A morte de Artur da Cunha Coelho encerra um percurso diretamente ligado a alguns dos momentos mais importantes da história política contemporânea de Braga: a oposição ao Estado Novo, a defesa das liberdades democráticas e a organização das primeiras estruturas socialistas no período que antecedeu e se seguiu ao 25 de Abril.
Na nota de pesar, o PS Braga descreve-o como uma personalidade que se distinguiu pela defesa dos direitos fundamentais e pela intervenção cívica, considerando que representou uma geração de políticos e cidadãos envolvidos na luta pela justiça, igualdade e liberdade.
O presidente da concelhia socialista, Pedro Sousa, e os restantes órgãos concelhios do PS Braga apresentaram as suas condolências à família e aos amigos de Artur da Cunha Coelho.
A Braga TV apresenta igualmente as mais sentidas condolências à família e amigos.






























