Primeiro-ministro diz que ministro das Infraestruturas recebeu orientações para concretizar investimentos nos 10 concelhos da região. Variante Valença-Monção-Melgaço, prolongamento da A28 e Variante de Ponte de Lima estão entre as prioridades
O Governo deverá avançar com um plano de investimentos rodoviários no Alto Minho, depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter confirmado que o ministro das Infraestruturas recebeu orientações para concretizar as principais obras reivindicadas pelos 10 municípios da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.
A garantia foi deixada esta quarta-feira, em Arcos de Valdevez, onde Luís Montenegro afirmou que é necessário fazer escolhas e apontou algumas das intervenções consideradas prioritárias pela região.
“Temos de fazer escolhas. E, seja na ligação à fronteira da Madalena, à variante de Ponte de Lima ou às variantes para Monção, Melgaço e Valença, o ministro [das Infraestruturas] tem orientações para conseguir concretizar estes investimentos”, afirmou o primeiro-ministro.
Alto Minho reivindica 300 milhões de euros
A posição do Governo surge depois de a CIM do Alto Minho ter apresentado uma reivindicação de 300 milhões de euros para investimentos rodoviários, considerados essenciais para acompanhar o crescimento económico da região e melhorar as ligações internas e transfronteiriças.
O presidente da CIM do Alto Minho e da Câmara de Monção, António Barbosa, mostrou-se confiante de que o Governo irá acolher a proposta apresentada pelos 10 municípios.
Segundo o autarca, o ministro das Infraestruturas terá indicado que os investimentos deverão constar de uma resolução do Conselho de Ministros durante 2026.
“Tem de existir [uma resposta positiva do Governo]. Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas”, afirmou António Barbosa, defendendo que a decisão deverá respeitar a priorização definida pelos 10 autarcas.
Variante Valença-Monção-Melgaço é uma das prioridades
Entre os investimentos considerados de resolução imediata está a Variante de Valença, Monção e Melgaço até Salvaterra, na Galiza.
A intervenção prevê uma nova ligação internacional, beneficiando da proximidade à A52, uma importante ligação rodoviária espanhola entre a Galiza, Madrid e o restante território espanhol.
A concretização desta ligação é apresentada pela CIM como uma das intervenções estratégicas para reforçar a ligação do Alto Minho à Galiza e melhorar a acessibilidade transfronteiriça.
A28 poderá avançar para norte
Outra das prioridades identificadas passa pelo prolongamento da A28, entre Vila Nova de Cerveira e o Nó de Sapardos ou, numa solução alternativa, até à futura variante em Valença.
A extensão da autoestrada é defendida pelos municípios como uma intervenção estruturante para melhorar as acessibilidades rodoviárias no Alto Minho e reforçar a ligação aos principais eixos de circulação da região.
Ligação à fronteira da Madalena e Variante de Ponte de Lima
No Eixo do Vale do Lima, os autarcas colocam entre as prioridades a ligação à fronteira da Madalena, através do Itinerário Complementar 28.
O plano inclui ainda a requalificação da EN 203 e da EN 304-1, nomeadamente no eixo de ligação entre Ponte da Barca e Lindoso.
A Variante de Ponte de Lima é outra das obras consideradas prioritárias pelos municípios.
Nova ligação ferroviária ao Porto de Mar de Viana
As reivindicações do Alto Minho não se limitam à rede rodoviária.
Os autarcas defendem também a criação de uma ligação ferroviária direta ao Porto de Mar de Viana do Castelo, considerando-a uma intervenção relevante para as acessibilidades e para a atividade económica da região.
Nova ponte sobre o rio Minho entre Caminha e A Guarda
Entre as chamadas “acessibilidades estruturantes” está ainda a proposta para uma nova travessia do rio Minho entre Caminha e A Guarda, na Galiza.
A CIM pretende que sejam lançados desde já os estudos de base para a futura infraestrutura, cuja implantação do lado português está prevista para a zona de Seixas, no concelho de Caminha.
A obra permitiria criar uma nova ligação transfronteiriça entre o Alto Minho e a Galiza, complementando as atuais travessias existentes na região.
EN 101 e ligações de Paredes de Coura também estão no plano
O documento entregue ao Governo inclui ainda a requalificação e correção do traçado da EN 101 entre Arcos de Valdevez e Monção.
Para Paredes de Coura, os autarcas defendem soluções para os principais estrangulamentos nas ligações aos concelhos vizinhos, nomeadamente nos eixos da EN 306, em direção a Ponte de Lima, EN 303, para Arcos de Valdevez, e EN 301, para Monção.
Autarcas querem obras ainda durante o atual mandato
António Barbosa defende que o compromisso político terá de ser acompanhado por decisões concretas e pelo lançamento dos projetos.
“Queremos que haja um sinal inequívoco. Para além de constar num documento, é imediatamente pormos mãos ao trabalho para garantir que ainda durante este mandato começamos a ter resultados objetivos nos investimentos”, afirmou.
A proposta apresentada pela CIM do Alto Minho reúne, assim, um conjunto de intervenções rodoviárias e ferroviárias consideradas estratégicas pelos 10 municípios, num investimento global reivindicado de 300 milhões de euros.
A expectativa dos autarcas é que o compromisso anunciado pelo primeiro-ministro seja traduzido em decisões formais e no avanço dos estudos e projetos necessários à concretização das obras.































