Brasil vai às urnas num clima de forte polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

Presidente brasileiro fala numa escolha entre “democracia e barbárie”, enquanto o candidato do Partido Liberal pede um “voto de protesto” para mudar o país

Os brasileiros começaram este domingo a votar numa das eleições mais polarizadas dos últimos anos, com o Presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro a assumirem-se como os principais protagonistas da corrida presidencial. Na primeira volta, Lula defende a continuidade do seu projeto político, enquanto o filho mais velho de Jair Bolsonaro apresenta-se como candidato à mudança.

Lula da Silva, de 80 anos, votou às 09:13, hora local, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, cidade onde construiu parte importante da sua trajetória política.

À saída da assembleia de voto, o Presidente brasileiro afirmou que os eleitores estão perante uma escolha entre “o fortalecimento do regime democrático” e a “barbárie”.

“O povo vai ter de escolher entre o fortalecimento do regime democrático ou a barbárie, entre o positivismo e o negacionismo, entre o desenvolvimento e o atraso”, declarou Lula aos jornalistas.

Lula confiante numa vitória

O candidato à reeleição mostrou-se confiante quanto aos resultados, justificando a sua posição com o trabalho desenvolvido pelo Governo e durante a campanha eleitoral.

“Estou muito confiante, não só pelo Governo que fizemos, mas pelo trabalho que realizámos durante a campanha”, afirmou.

Lula apelou ainda à participação dos eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, defendendo que estes também devem comparecer às urnas.

O Presidente brasileiro esteve acompanhado, no momento da votação, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, por Fernando Haddad, candidato ao Governo de São Paulo, e pelas candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet.

As últimas sondagens colocam Lula ligeiramente à frente, embora dentro da margem de erro.

Flávio Bolsonaro pede “voto de protesto”

Também Flávio Bolsonaro já votou. O senador e candidato do Partido Liberal compareceu numa assembleia de voto no Rio de Janeiro logo nos primeiros minutos após a abertura das urnas, acompanhado pela mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.

Perante as câmaras de televisão e os fotógrafos, o candidato fez o número 22 com as mãos, correspondente ao seu número no boletim de voto.

Flávio Bolsonaro pediu aos brasileiros que saiam de casa para votar e classificou a eleição como uma oportunidade para provocar uma mudança política no país.

“Espero que os brasileiros e brasileiras saiam de casa hoje para poder mudar o Brasil para melhor. Que dê seu voto de protesto”, afirmou.

O candidato criticou o Governo de Lula, apontando problemas relacionados com criminalidade, endividamento e carga fiscal.

“Mais do que preparado” para assumir a Presidência, Flávio Bolsonaro afirmou ainda que pretende devolver às famílias brasileiras “o direito de voltarem a sonhar”.

“O Brasil precisa do seu próprio povo”

O candidato do Partido Liberal apelou igualmente ao voto útil e pediu aos eleitores que não se abstenham.

“O Brasil precisa do seu próprio povo para se libertar”, afirmou, defendendo que o país precisa de uma mudança de rumo.

Flávio Bolsonaro mostrou-se também confiante numa vitória logo na primeira volta e chamou a atenção para a importância da eleição presidencial na composição futura do Supremo Tribunal Federal.

O próximo Presidente poderá indicar quatro novos juízes para o Supremo, um argumento que Flávio utilizou para reforçar a importância da votação.

Eleições mobilizam mais de 158 milhões de eleitores

As assembleias de voto abriram às 08:00, hora de Brasília, 12:00 em Portugal, e encerram às 17:00, correspondentes às 21:00 em Lisboa.

Mais de 158,7 milhões de eleitores estão habilitados a votar nas 563.910 urnas eletrónicas instaladas em 5.571 cidades brasileiras, além de locais de votação no estrangeiro, incluindo Lisboa, Porto e Faro.

Além do Presidente e do vice-presidente, os brasileiros elegem 27 governadores e respetivos vice-governadores, 54 senadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais.

Segunda volta marcada para 25 de outubro

Caso nenhum candidato presidencial consiga obter mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados avançam para uma segunda volta, marcada para 25 de outubro.

A eleição decorre num ambiente particularmente polarizado entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Os dois principais candidatos não chegaram, contudo, a enfrentar-se num debate presidencial organizado pela imprensa brasileira, algo que não acontecia desde 2006.

Além de Lula e Flávio Bolsonaro, a corrida presidencial conta com outros candidatos, entre os quais Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, Augusto Cury, Samara Martins, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta e Wilson Grassi.

O resultado da primeira volta deverá definir se o Brasil terá Presidente eleito já este domingo ou se Lula da Silva e Flávio Bolsonaro terão de voltar a disputar o voto dos brasileiros numa segunda volta.

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