Aos 39 anos, Lionel Messi vai disputar na terça-feira o último jogo pela seleção argentina. O adeus acontece no Monumental de Núñez, depois de uma carreira marcada por desilusões, lágrimas e uma coleção histórica de títulos
Lionel Messi vai despedir-se na terça-feira da seleção argentina em campo, no particular frente ao Benim, no Monumental de Núñez. Aos 39 anos, o astro argentino prepara-se para vestir pela última vez a camisola da Albiceleste, encerrando uma história iniciada há mais de duas décadas e que passou por alguns dos momentos mais marcantes da história do futebol.
Será a 208.ª internacionalização de Messi pela seleção principal, num estádio que tem um significado especial para o futebol argentino e onde o jogador nunca perdeu.
Os bilhetes esgotaram rapidamente e tudo aponta para uma noite de homenagem a um futebolista que, ao longo das últimas duas décadas, conquistou praticamente tudo o que um jogador pode ambicionar.
De menino de Rosario a campeão do Mundo
Nascido em Rosario, a 24 de junho de 1987, Messi chegou à seleção principal da Argentina em 2005, depois de já ter conquistado nesse mesmo ano o Mundial de sub-20, nos Países Baixos, competição na qual foi eleito o melhor jogador e o melhor marcador.
A estreia pela equipa principal, frente à Hungria, acabou por ser agridoce. Entrou em campo e, poucos segundos depois, acabou expulso após um contacto com um adversário.
Tinha apenas 18 anos.
Pouco mais de um ano depois, disputou o primeiro Mundial, em 2006, e deixou imediatamente a sua marca. Frente à Sérvia e Montenegro, marcou e assistiu em apenas 15 minutos, numa vitória argentina por 6-0.
As finais perdidas que quase o fizeram desistir
O percurso de Messi pela seleção argentina esteve longe de ser linear.
Em 2007, chegou à primeira final da Copa América, mas a Argentina perdeu por 3-0 frente ao Brasil.
Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, conquistou a medalha de ouro, mas continuava a faltar-lhe um grande troféu pela seleção principal.
A oportunidade seguinte surgiu no Mundial de 2014. Messi conduziu a Argentina até à final, mas a Alemanha venceu por 1-0 após prolongamento.
Seguiram-se duas novas finais da Copa América, em 2015 e 2016, ambas perdidas frente ao Chile nos penáltis.
Depois da derrota de 2016, Messi chegou mesmo a anunciar o adeus à seleção.
“São quatro finais que me toca perder, três seguidas. É uma lástima. Tentei, era o que mais desejava”, afirmou então.
Mas o argentino reconsiderou.
E decidiu continuar.
A espera terminou em 2021
A persistência acabou por ser recompensada.
Em 2021, a Argentina derrotou o Brasil por 1-0 no Maracanã e Messi conquistou finalmente o primeiro grande título pela seleção principal.
A imagem do jogador ajoelhado no relvado, emocionado após o apito final, tornou-se um dos momentos mais simbólicos da sua carreira internacional.
Depois de tantas desilusões, Messi tinha finalmente conseguido.
E a partir daí começou uma das fases mais gloriosas da história da seleção argentina.
Finalíssima, Mundial e nova Copa América
Em 2022, Messi voltou a levantar um troféu com a Argentina, desta vez na Finalíssima, após uma vitória por 3-0 sobre a Itália em Wembley.
Meses depois, no Qatar, chegou o momento que faltava.
A Argentina sagrou-se campeã mundial após derrotar a França numa final épica, decidida nos penáltis, depois de um empate 3-3 após prolongamento.
Messi marcou dois golos e terminou a competição como campeão mundial, concretizando o grande sonho que perseguira durante toda a carreira.
Em 2024, voltou a celebrar um grande título pela Argentina, conquistando a Copa América nos Estados Unidos.
Uma última final antes do adeus
A história ainda teve mais um capítulo em 2026.
Aos 39 anos, Messi conduziu novamente a Argentina a uma final, contribuindo com oito golos e quatro assistências ao longo da caminhada.
Desta vez, porém, a seleção argentina perdeu frente à Espanha, por 1-0 após prolongamento.
Um mês e 12 dias depois dessa derrota, Messi anunciou nas redes sociais que iria abandonar a seleção.
Faltava, contudo, uma última aparição.
E será na terça-feira, no Monumental de Núñez.
O adeus a uma lenda da Argentina
Messi deixa a seleção argentina como recordista de internacionalizações, golos e assistências.
São 207 jogos, 125 golos e 66 assistências pela Albiceleste, números que ajudam a dimensionar uma carreira internacional absolutamente excecional.
No seu palmarés pela Argentina ficam o Mundial de 2022, duas Copas América, a Finalíssima, o Mundial de sub-20 de 2005 e a medalha de ouro olímpica de 2008.
Mais do que os números, fica uma história marcada pela resiliência: das lágrimas após as finais perdidas às lágrimas de alegria no Maracanã e no Qatar.
Na terça-feira, diante do Benim, Messi vai vestir pela última vez a camisola da Argentina.
O menino de Rosario que sonhava representar o seu país vai dizer adeus depois de conquistar tudo aquilo que um dia imaginou.

































