Caminho da Geira já representa 60% dos peregrinos que partem de Braga para Santiago

Mais de mil peregrinos já iniciaram este ano a caminhada em Braga e seis em cada dez escolheram o Caminho da Geira e dos Arrieiros.

O Caminho da Geira e dos Arrieiros (CGA) está a ganhar cada vez mais expressão entre os peregrinos que partem de Braga rumo a Santiago de Compostela. Até 3 de outubro, 631 peregrinos iniciaram o percurso junto à Sé Catedral de Braga, representando 60% do total de partidas registadas na cidade.

No total, 1.051 peregrinos começaram este ano a sua caminhada em Braga. O número alcançado pelo Caminho da Geira ultrapassou já o total registado no ano passado, consolidando a crescente procura por este itinerário.

Em sentido contrário, o Caminho Português Central, na variante por Braga, registou 380 partidas, correspondentes a 36% do total. O percurso, que durante décadas foi a principal rota de saída de Braga para Santiago, apresenta uma quebra de 31% face ao período homólogo.

Os restantes 40 peregrinos escolheram outros itinerários, entre os quais o Caminho Minhoto Ribeiro e o Caminho de São Rosendo.

758 peregrinos já fizeram o Caminho da Geira

Considerando a totalidade dos peregrinos que já cumpriram o Caminho da Geira e dos Arrieiros, são 758 os que realizaram o percurso. Destes, 83% começaram em Braga.

Os restantes partiram de diferentes pontos, com destaque para Castro Laboreiro (21), Campo do Gerês (20), Ameixoeira (19), Berán (16) e Cortegada (13). Outros 20 peregrinos iniciaram a caminhada a partir de diferentes localidades do país.

Portugueses são maioria

O perfil dos peregrinos revela uma predominância de caminhantes portugueses, que representam 63% do total. Seguem-se os espanhóis, com 16%, e os italianos, com 3%.

Os homens representam 67% dos peregrinos, enquanto a faixa etária entre os 46 e os 65 anos corresponde a 57% dos caminhantes.

A grande maioria realiza o percurso a pé (78%), enquanto 17% optam pela bicicleta. Os restantes meios de deslocação têm uma expressão residual.

Motivação religiosa continua a ser a principal

A motivação religiosa mantém-se como o principal motivo apontado pelos peregrinos: 338 pessoas, correspondentes a 45% do total.

Outros 112 peregrinos, cerca de 15%, indicaram motivos não religiosos, enquanto 238, equivalentes a 31%, foram classificados na categoria “outros”.

Maio e junho concentram quase metade das partidas

Os meses de maio e junho foram os que registaram maior movimento no Caminho da Geira. Em maio iniciaram o percurso 168 peregrinos e em junho 187, num total de 355 pessoas.

Este número representa 47% de todos os peregrinos registados até 3 de outubro.

Seguem-se agosto, com 84 peregrinos, setembro, com 82, julho, com 70, e abril, com 68.

Um percurso de 239 quilómetros entre Braga e Santiago

O Caminho da Geira e dos Arrieiros tem cerca de 239 quilómetros e começa junto à Sé Catedral de Braga, atravessando os municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, antes de entrar na Galiza pela Portela do Homem.

O percurso foi apresentado em 2017, em Ribadavia, na Galiza, e em Braga, tendo sido reconhecido pela Igreja em 2019. Posteriormente, foi referenciado em publicações do Eixo Atlântico e do Turismo do Porto e Norte de Portugal.

O caminho integra ainda a lista dos percursos culturais a homologar este ano pelo Governo da Galiza.

Segundo as associações responsáveis pela promoção do itinerário, o Caminho da Geira já foi percorrido por 8.657 peregrinos, incluindo 1.364 no ano passado. Deste universo, 3.596 receberam a Compostela, depois de concluírem o percurso nas condições exigidas.

Entre a Geira Romana e o Gerês-Xurés

Um dos principais argumentos distintivos do percurso é o património natural e histórico que atravessa.

O caminho acompanha a Geira Romana, considerada uma das vias romanas deste género mais bem conservadas do antigo Império Romano do Ocidente, e atravessa a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés.

É também um dos poucos itinerários jacobeus com ligação direta à Catedral de Santiago de Compostela, reforçando a sua importância enquanto rota de peregrinação entre Portugal e a Galiza.

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