Burlas com falsos agentes de autoridade estão a aumentar: GNR regista 193 crimes em pouco mais de dois anos

GNR

Criminosos fazem-se passar por militares da GNR, polícias ou inspetores para convencer as vítimas a entregar dinheiro e dados pessoais. Braga e Viana do Castelo estão entre os distritos com mais ocorrências.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 193 crimes de burla por falsa identidade de agentes de autoridade entre janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026. Os dados constam de um estudo da própria força de segurança, que identifica uma tendência de crescimento deste tipo de criminalidade.

Segundo a análise, foram contabilizadas 69 ocorrências em 2024, enquanto nos primeiros cinco meses de 2026 já tinham sido registados 48 casos. Os burlões recorrem à manipulação psicológica e à falsa aparência de autoridade para enganar cidadãos e comerciantes, utilizando sobretudo contactos telefónicos e ferramentas digitais.

Criminosos usam falsas identidades policiais

Os suspeitos apresentam-se como agentes da GNR, elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP), inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) ou profissionais da Polícia Judiciária (PJ).

Em alguns casos, recorrem à utilização indevida de nomes reais de inspetores para reforçar a credibilidade da abordagem. Também podem simular elementos de identificação e utilizar números de telefone que aparentam pertencer a organismos oficiais.

O objetivo é criar uma situação de urgência e levar a vítima a acreditar que está perante uma fiscalização, uma infração grave ou um problema que exige uma intervenção imediata.

Os contactos podem incluir ameaças de coimas, alegadas irregularidades ou a necessidade de proteger dinheiro e bens. Sob pressão, as vítimas acabam por seguir as instruções dos burlões, incluindo a transferência de poupanças para supostas contas de segurança.

Braga entre os distritos com mais casos

A distribuição geográfica das ocorrências coloca o Porto na liderança, com 33 crimes, seguido de Lisboa, com 23, e Setúbal, com 18.

O estudo destaca ainda Braga e Viana do Castelo entre os distritos com valores elevados de ocorrências participadas, embora a informação divulgada não apresente números específicos para estes dois distritos.

A análise aponta também para uma concentração dos casos durante o período diurno. Cerca de 75% das ocorrências aconteceram durante o dia, com 74 casos de manhã e 72 à tarde. As quintas e sextas-feiras surgem como os dias com maior incidência.

Pessoas entre os 51 e os 64 anos são as principais vítimas

Os dados revelam que as vítimas são sobretudo pessoas em idade ativa. O grupo entre os 51 e os 64 anos é o mais afetado, com 49 vítimas, seguido da faixa etária dos 41 aos 50 anos, com 33.

As autoridades alertam para a importância de desconfiar de contactos que exigem decisões imediatas, transferências bancárias ou a entrega de dados pessoais sob o pretexto de evitar uma sanção ou proteger dinheiro.

Perante uma chamada suspeita, a recomendação é interromper o contacto e confirmar a situação diretamente junto da entidade oficial, através dos canais de atendimento conhecidos. Nenhuma alegada urgência deve levar à realização de transferências sem verificação prévia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here