Guerreiros perdem por 2-1 depois de estarem em vantagem e somam quatro jogos consecutivos sem vencer. Lenços brancos, assobios e cânticos de protesto aumentam a pressão sobre Carlos Vicens.
O Sporting de Braga voltou a desiludir e agravou a crise de resultados ao perder por 2-1 frente ao Gil Vicente, esta terça-feira, no Estádio Municipal de Braga, em encontro em atraso da segunda jornada da I Liga. Os arsenalistas estiveram em vantagem, mas permitiram a reviravolta dos gilistas na segunda parte e terminaram a partida debaixo de forte contestação dos adeptos.
A equipa orientada por Carlos Vicens soma agora quatro jogos consecutivos sem vencer, com três derrotas e um empate, numa sequência negativa que está a aumentar a pressão sobre o treinador espanhol e os jogadores.
No final do encontro, a insatisfação fez-se ouvir nas bancadas, com lenços brancos, assobios e cânticos de protesto. A contestação estendeu-se à equipa, enquanto o capitão Ricardo Horta procurou pedir desculpa aos adeptos pelo resultado.
Pau Victor adianta o Braga, mas Gil Vicente responde
A primeira parte foi equilibrada e teve poucos momentos de verdadeiro perigo. O Sporting de Braga conseguiu, ainda assim, chegar à vantagem aos 33 minutos, por Pau Victor, num lance inicialmente invalidado por fora de jogo, mas validado após intervenção do VAR.
A decisão teve em conta o toque deliberado de Buatu, que colocou a bola na trajetória do avançado espanhol. Sem oposição, Pau Victor aproveitou a oportunidade e colocou os arsenalistas na frente do marcador.
O Gil Vicente procurou reagir e esteve perto de marcar aos 42 minutos, mas Travassos evitou o golo dos visitantes ao cortar a bola para canto.
Reação gilista muda o rumo do encontro
Ao intervalo, os dois treinadores mexeram nas equipas, mas foi Luís Pinto quem retirou maior rendimento das alterações.
Aos 49 minutos, Walace França, acabado de entrar, restabeleceu a igualdade. O avançado brasileiro apareceu na área para concluir com o peito um cruzamento de Murilo, aproveitando também a falta de atenção defensiva do Braga.
A equipa da casa tentou responder e viveu o seu melhor período após o empate. Aos 58 minutos, Ricardo Horta esteve perto de marcar, na cobrança de um livre direto de longa distância, com a bola a passar muito perto do poste.
Apesar da maior intensidade dos arsenalistas, o Gil Vicente voltou a revelar eficácia e chegou à vantagem aos 72 minutos, num lance infeliz para os bracarenses.
Tidjany Touré conduziu um contra-ataque rápido e rematou. Depois de a bola sofrer um desvio em Bajrami, Bernardo Fontes tentou afastá-la, mas acabou por a enviar contra Travassos, que introduziu o esférico na própria baliza.
Pau Victor acerta no poste e Braga falha o empate
Em desvantagem, Carlos Vicens arriscou tudo e promoveu uma tripla substituição, lançando Huseinbasic, Gabriel Silva e Fran Navarro para reforçar o ataque.
O Braga pressionou à procura do empate e esteve muito perto de o conseguir já nos descontos. Aos 90+1 minutos, Pau Victor teve uma excelente oportunidade, mas o remate embateu no poste.
Aos 90+5, Lucão confirmou o triunfo do Gil Vicente com uma grande defesa a um cabeceamento de Gabriel Silva, segurando os três pontos para a equipa de Barcelos.
Vicens dispara contra a arbitragem e deixa aviso após nova derrota do Braga: «Precisamos de uma vitória»
Treinador dos arsenalistas questiona decisões do VAR frente ao Gil Vicente e recorda o penálti por mão de Doumbia no jogo com o Sporting. Após o desaire por 2-1 na Pedreira, garante ter confiança para inverter o ciclo negativo.
Carlos Vicens não escondeu a frustração depois da derrota do Sporting de Braga frente ao Gil Vicente, por 2-1, e apontou a arbitragem como um dos fatores que, na sua perspetiva, têm contribuído para o momento difícil dos arsenalistas. Na conferência de imprensa, o treinador espanhol recordou lances de jogos anteriores e questionou a ausência de intervenção do VAR em situações que considera relevantes.
O técnico reconheceu também os erros da própria equipa, sobretudo na forma como sofreu os dois golos, mas insistiu que vários episódios têm penalizado o Braga numa fase em que os resultados não aparecem.
«Há demasiados lances em que esta equipa não merece que vá tudo para o lado do adversário», afirmou, lamentando a conjugação de erros defensivos, ansiedade e decisões que considera desfavoráveis.
«Se ganharmos um jogo, vai ser totalmente diferente»
Na análise ao encontro com o Gil Vicente, Vicens considerou que o Braga realizou uma primeira parte séria, embora sem transformar o domínio em oportunidades claras de golo.
Na segunda metade, os minhotos perderam capacidade para controlar a posse de bola e permitiram que o adversário criasse situações de perigo. O treinador apontou ainda falhas defensivas no lance do segundo golo, marcado na própria baliza por Travassos, após uma sequência de ressaltos.
«Neste momento, em que as coisas custam a sair nas duas áreas, respira-se esse nervosismo e ansiedade», explicou.
Apesar do desaire, o espanhol destacou a reação da equipa na reta final, lembrando o remate de Pau Victor ao poste, os remates e os pontapés de canto que não foram suficientes para evitar a derrota.
Vicens acredita que uma vitória poderá alterar o estado anímico do grupo e inverter a tendência negativa.
«Se ganharmos um jogo, vai ser totalmente diferente», garantiu, acrescentando que mantém «total confiança» nos jogadores e nos profissionais do clube.
O treinador recordou ainda que o Braga já atravessou um período de dificuldades na época anterior e mostrou-se convencido de que a equipa conseguirá voltar aos bons resultados.
Vicens questiona decisões do VAR
O treinador espanhol reservou as críticas mais contundentes para a arbitragem, sublinhando que raramente aborda publicamente esse tema, mas considerando que a sucessão de episódios merece ser discutida.
Vicens começou por recordar o encontro da primeira jornada, frente ao Moreirense, apontando um alegado pisão sobre Fran Navarro no lance que originou o golo do adversário.
Depois, voltou ao jogo frente ao Sporting, no qual o Braga perdeu por 1-3, e revelou que, segundo o seu relato, elementos da equipa de arbitragem de João Pinheiro lhe terão reconhecido posteriormente que o lance de mão de Issa Doumbia deveria ter sido sancionado com penálti, caso tivesse existido intervenção do VAR para revisão da jogada.
«Se te pusesses 2-0 contra o Sporting, no momento mental que o Sporting também atravessava…», observou, lamentando as possíveis consequências que a decisão poderia ter tido no encontro.
Sobre a partida frente ao Gil Vicente, o técnico questionou igualmente a análise a dois lances envolvendo Pau Victor e Ricardo Horta.
«Temos de fazer coisas bem para não precisarmos de que o árbitro acerte em lances que têm de ser nossos e não nos custem pontos», afirmou, reconhecendo, ao mesmo tempo, que a equipa precisa de corrigir os próprios erros.
As declarações representam a posição de Carlos Vicens sobre os lances em causa, não constituindo, por si só, uma confirmação oficial de erros de arbitragem.
Quinta-feira é oportunidade para reagir
Apesar da contestação crescente nas bancadas da Pedreira, Vicens garantiu que o trabalho diário continua centrado na melhoria do rendimento coletivo e na preparação do próximo compromisso.
O treinador pretende que o Braga apresente uma resposta competitiva já na quinta-feira, com o objetivo de conquistar a vitória que considera fundamental para recuperar confiança.
«Analisamos e vamos continuar a analisar para continuar a ajudar a equipa para rendermos mais e melhorar os resultados», afirmou.
A derrota frente ao Gil Vicente prolonga a série negativa dos arsenalistas e aumenta a pressão sobre o técnico espanhol. Entre a necessidade de corrigir erros defensivos, recuperar eficácia ofensiva e lidar com a contestação dos adeptos, o Braga procura agora uma vitória que permita travar a crise e devolver tranquilidade ao grupo.
Luís Pinto expõe as fragilidades do Braga: «Estávamos com mais respeito pelo Sp. Braga do que por aquilo que queremos fazer»
Treinador do Gil Vicente explicou a reviravolta na Pedreira e destacou a mudança de atitude da equipa na segunda parte. Gilistas venceram por 2-1 e prolongaram para quatro jogos a série sem derrotas.
Luís Pinto considerou que o Gil Vicente entrou em campo com «um respeito muito grande» pelo Sporting de Braga, mas destacou a mudança de atitude da equipa na segunda parte, decisiva para a vitória por 2-1, esta terça-feira, no Estádio Municipal de Braga, em jogo em atraso da segunda jornada da I Liga.
Na conferência de imprensa após o encontro, o treinador dos gilistas reconheceu que a equipa esteve demasiado condicionada pelo adversário durante os primeiros 45 minutos, antes de assumir uma postura mais agressiva e fiel à sua identidade na etapa complementar.
«Estávamos com mais respeito pelo Sp. Braga do que por aquilo que queremos fazer em campo», admitiu Luís Pinto, apontando a falta de agressividade e de iniciativa ofensiva como aspetos a corrigir.
«Na segunda parte tivemos uma atitude competitiva diferente»
O técnico explicou que a transformação da equipa após o intervalo foi determinante para inverter o resultado, depois de Pau Victor ter colocado os arsenalistas em vantagem, aos 33 minutos.
«Continuámos a respeitar o Sp. Braga, mas respeitámos ainda mais aquilo que queremos enquanto identidade da equipa», afirmou.
Luís Pinto destacou a maior capacidade de ter bola, vencer duelos e criar situações de perigo, fatores que permitiram ao Gil Vicente dar a volta ao marcador com golos de Walace França, aos 49 minutos, e Travassos, na própria baliza, aos 72.
«Podemos perder, mas que seja a jogar da forma que queremos jogar», sublinhou o treinador, defendendo uma equipa protagonista e fiel aos seus princípios, independentemente do adversário.
O técnico reconheceu ainda que os últimos minutos exigiram capacidade de sofrimento, mas considerou que essa resistência também faz parte da identidade coletiva que pretende consolidar.
Lucão ganha confiança na baliza
Questionado sobre a exibição de Lucão, decisivo para segurar a vantagem nos descontos, Luís Pinto destacou a evolução do guarda-redes brasileiro e a importância da confiança no desempenho da equipa.
«A baliza é um lugar em que se quer segurança», explicou, acrescentando que essa segurança não depende apenas das defesas, mas também do jogo de pés e da capacidade de sair da baliza.
O treinador elogiou a resiliência de Lucão e o trabalho desenvolvido diariamente pelos restantes guarda-redes, Samuel e Picornell, sublinhando que a evolução resulta de um esforço conjunto.
As opções para o ataque fizeram a diferença
Luís Pinto abordou também a utilização de Kaba e Walace França na ausência de Héctor Hernández, salientando as características distintas dos avançados disponíveis.
O técnico explicou que Walace, ainda a recuperar o ritmo competitivo após uma lesão sofrida no último jogo da pré-época, entrou para dar maior capacidade de retenção da bola à equipa.
A alteração revelou-se particularmente eficaz: o brasileiro marcou praticamente no primeiro contacto com a bola, restabelecendo a igualdade na Pedreira.
«Queremos jogar qualquer jogo com olhos nos três pontos»
O treinador destacou ainda o crescimento da equipa ao longo da época, atribuindo a evolução à dedicação dos jogadores e à assimilação das ideias de jogo.
Luís Pinto reconheceu que a equipa sentiu dificuldades durante algumas semanas da pré-temporada, mas considerou que houve uma evolução significativa nos comportamentos coletivos, tanto ofensivos como defensivos.
Gil Vicente não perde há quatro jogos
«Os jogadores trabalham de uma forma muito dedicada, muito profissional. Isso facilita o nosso trabalho. Na pré-época, houve umas semanas em que se notou dificuldades em determinados comportamentos, mas houve um clique e um crescimento grande. A equipa tem aderido bem à nossa proposta. Em quase todos os momentos do campeonato a equipa tem demonstrado que sabe o que quer e as intenções ofensivas e defensivas que tem. Estamos num patamar interessante do que queremos, mas com vista a evoluir e melhorar. O nosso objetivo é continuar a crescer na nossa forma de jogar. Queremos jogar qualquer jogo com olhos nos três pontos.»
«Estamos num patamar interessante do que queremos, mas com vista a evoluir e melhorar», concluiu o treinador, deixando clara a ambição de continuar a crescer e de entrar em todos os jogos para conquistar os três pontos.
Ficha de jogo
Estádio Municipal de Braga.
SC Braga – Gil Vicente, 1-2.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores
1-0, Pau Victor, 33 minutos.
1-1, Walace França, 49.
1-2, Travassos, 72 (na própria baliza).
Equipas
– SC Braga: Bernardo Fontes, Lagerbielke, Vítor Carvalho (Fran Navarro, 77), Bajrami, Travassos (Gabriel Silva, 77), João Moutinho (Tiknaz, 66), Gorby (Huseinbasic, 7), Diego Rodrigues, Ricardo Horta, Pau Victor e Jonas Wind (Victor Gómez, 46).
(Suplentes: Tiago Sá, João Carvalho, Vítor Gómez, Sergio Barcia, Arrey-Mbi, Barisic, Tiknaz, Huseinbasic, Dorgeles, Gabri Martínez, Gabriel Silva e Fran Navarro).
Treinador: Carlos Vicens.
– Gil Vicente: Lucão, Ricardo Esgaio, Buatu, Elimbi, David Moreira, Andreas Lausen (Gonçalo Maia, 90+2), Diogo Prioste (Zé Carlos, 64), Santi García, Murilo (Joelson Fernandes, 81), Gil Martins (Tidjany Touré, 64) e Kaba (Walace França, 46).
(Suplentes: André Picornell, Samuel Portugal, José Silva, Antonio Espigares, Zé Carlos, Gonçalo Maia, Gui Beleza, Tidjany Touré, Agustín, Martín Fernández, Joelson Fernandes e Walace França).
Treinador: Luís Pinto.
Árbitro: Gustavo Correia (Porto).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Kaba (25), Gorby (41), Elimbi (58), Victor Gómez (83), Zé Carlos (89) e Ricardo Horta (90+6).
Assistência: 11.381 espetadores.































