Sobe para sete o número de mortos após chuvas intensas na ilha de São Vicente, Cabo Verde

Ministro da Administração Interna alerta para possibilidade de aumento de vítimas e danos graves em infraestruturas; autoridades mantêm buscas por desaparecidos

O número de vítimas mortais causadas pelas fortes chuvas que atingiram a ilha de São Vicente, em Cabo Verde, na madrugada desta segunda-feira, subiu para sete, anunciou hoje o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV), o governante explicou que, num período de aproximadamente duas horas e meia, uma chuva intensa acompanhada de trovoadas provocou estragos e perdas humanas significativas. “Neste momento, há sete mortes confirmadas”, afirmou.

Paulo Rocha alertou que o balanço de vítimas pode aumentar, já que ainda existem pessoas desaparecidas na ilha. “A Câmara Municipal e o Governo têm de fazer o levantamento. Pode levar alguns dias. O primeiro passo é tentar localizar as pessoas desaparecidas e pôr todas a salvo, mas onde for necessário, faremos as intervenções”, acrescentou.

O presidente do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, Domingos Tavares, confirmou que as chuvas causaram danos severos em infraestruturas públicas, habitações e veículos, além de terem provocado as fatalidades.

A administradora do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG), Ester Araújo de Brito, explicou que uma onda de leste, inicialmente considerada pacífica, intensificou-se ao passar pelas ilhas ocidentais, como São Vicente, Santo Antão e São Nicolau, originando precipitação intensa e trovoadas.

Entre as 03:00 e as 04:00 locais (05:00 e 06:00 em Lisboa), São Vicente registou cerca de 163 milímetros de chuva.

Apesar da previsão antecipar chuva e trovoadas, não foi emitido qualquer alerta, devido à aparente tranquilidade inicial do sistema. Ester Araújo de Brito referiu ainda as limitações da monitorização meteorológica no arquipélago, que depende essencialmente de imagens de satélite, pois não dispõe de radares.

A responsável alertou também para o agravamento do estado do mar, com ondas entre 2 e 3,5 metros no sul do arquipélago, recomendando especial precaução nas zonas costeiras, sobretudo nas ilhas mais meridionais.