Aguiar-Branco visita zonas ardidas no Gerês e defende medidas “na prática” para prevenir incêndios

Presidente da Assembleia da República quer “recolocar na agenda mediática” a prevenção dos fogos

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu esta terça-feira que é urgente transformar em ações concretas as medidas de prevenção de incêndios já recomendadas nos relatórios de 2017 e 2022, elaborados após tragédias florestais desses anos.

“É uma responsabilidade de todos, do Governo e da Assembleia da República, olharmos para os relatórios que já existem e fazermos no terreno o que é previsto, para que se chegue a uma dimensão de eficácia maior. É preciso passar à prática (…) A evidência mostra que não foi feito tanto quanto era necessário”, declarou, em Ermida, Ponte da Barca, uma das aldeias mais afetadas pelo incêndio de julho no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Segundo Aguiar-Branco, a sua presença no local teve como objetivo “recolocar na agenda mediática” a questão da prevenção, de modo a tornar mais eficaz o combate aos fogos.

Apoios mais céleres e eficazes

Questionado sobre os prejuízos sofridos pelas populações de Ponte da Barca, o presidente da Assembleia da República sublinhou que espera uma resposta “mais rápida e eficaz” dos mecanismos de apoio.

Antes da visita a Ermida e Cidadelhe (Lindoso), o responsável reuniu com o presidente da Câmara, Augusto Marinho, que voltou a alertar para a necessidade de investir no cadastro dos terrenos e no ordenamento do território como fatores-chave de prevenção.

Aguiar-Branco fez questão de destacar que a visita tinha também um caráter simbólico de solidariedade com autarcas, forças de combate e populações afetadas:

“Quando há momento de agenda mediática dá-se muita atenção a este tipo de problemas, tão graves como os que se viveram em Ponte da Barca. Mas depois, quando desaparece a atenção mediática, parece que os problemas deixam de existir. É isso que não pode acontecer”, frisou.

7.500 hectares destruídos

O incêndio que deflagrou em 26 de julho em Ponte da Barca e só foi dominado uma semana depois consumiu 7.550 hectares, dos quais 5.786 dentro da área protegida do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), segundo dados ainda provisórios.

O PNPG ocupa 69.596 hectares e abrange territórios dos distritos de Braga (Terras de Bouro), Viana do Castelo (Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (Montalegre).