Paulo Raimundo desafia Montenegro a reagir à precariedade do pacote laboral

Líder do PCP acusa Governo de promover desregulação e precariedade e critica silêncio do primeiro-ministro sobre medidas que afetam os trabalhadores

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, desafiou esta segunda-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a reagir à precariedade que, segundo o partido, está presente no pacote laboral proposto pelo Governo. O apelo foi feito em Braga, durante a sessão evocativa do 112.º aniversário de Álvaro Cunhal, sob o lema “Revolução de Abril – Transformações profundas e resistência ao processo contrarrevolucionário”.

Raimundo lamentou que o chefe do Governo tenha reagido à greve geral marcada para 11 de dezembro, associando-a ao PS e ao PCP, mas não tenha comentado o conteúdo do pacote laboral. “Por que é que ele não reagiu àquilo que querem introduzir, mais precariedade do que a que já existe?”, questionou, apontando também a desregulação dos horários de trabalho, os despedimentos com justa causa e a falta de perspetivas para os jovens como pontos críticos da proposta.

O líder comunista acusou o Governo de estar “capturado pelos grandes grupos económicos”, afirmando que as medidas propostas não visam resolver os problemas dos trabalhadores, mas sim baixar impostos sobre os lucros.

Sobre a greve geral, Raimundo recordou que o documento foi entregue em julho e que “não mudou nada”, mantendo as “linhas mestras” que, segundo o PCP, incluem mais precariedade, mais horas de trabalho sem remuneração adequada e despedimentos facilitados. “O que é preciso é que este pacote seja retirado”, defendeu.

O dirigente comunista criticou ainda a indiferença do primeiro-ministro perante os números da precariedade e dos baixos salários: “É para o lado que ele dorme melhor”, afirmou, referindo-se aos 2,7 milhões de trabalhadores com horários desregulados, dois milhões com salários até 1.000 euros e um milhão em situação precária.