Faleceu António Mota (1954-2025): O engenheiro que transformou a Mota-Engil num gigante internacional

O líder que dedicou quase cinco décadas à construção de um legado empresarial e familiar

O adeus ao “patrão da Mota”

António Mota, antigo presidente da Mota-Engil, morreu este domingo. Conhecido como o “patrão da Mota”, liderou durante 28 anos a maior construtora portuguesa, entre 1995 e 2023, e foi distinguido em dezembro de 2024 com o prémio Lifetime Achievement pelo ECO.

Da herança ao trabalho redobrado

Filho de Manuel António da Mota, fundador da empresa em 1946, António Mota dizia ter herdado “muito trabalho para fazer” e não apenas riqueza. A responsabilidade de ser “filho do patrão” obrigou-o, segundo o próprio, a “provar o dobro”. Aos filhos e sobrinhos deixa agora um legado de dedicação e crescimento.

A saída da administração e a transição geracional

Em abril de 2025, António Mota abandonou o cargo de vice-presidente do Conselho de Administração da Mota-Engil, marcando a sua saída definitiva da gestão. Em setembro, transferiu 28% da holding familiar Mota Gestão e Participações (MGP) para os quatro filhos – Manuel António, Maria Sílvia, Maria Inês e Maria Luísa – e cedeu o seu lugar na administração ao filho Manuel Mota. A liderança executiva da empresa está hoje nas mãos do sobrinho Carlos Mota dos Santos, CEO desde 2023.

De Amarante para o mundo

Nascido em 1954, em Amarante, António Manuel Queirós Vasconcelos da Mota foi o único filho varão entre quatro irmãos. Licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, iniciou a carreira em 1976 como estagiário na Mota & Companhia. Em 1981 assumiu a direção-geral e, em 1995, sucedeu ao pai na presidência.

A fusão decisiva com a Engil

Em 2000, liderou a fusão entre a Mota & Companhia e a Engil, operação que deu origem à Mota-Engil SGPS e que foi determinante para o crescimento internacional do grupo. “O que foi mais importante para a Mota-Engil foi a fusão da Mota & Companhia e da Engil”, recordou em 2024, ao receber o prémio Lifetime Achievement.

A aposta em Jorge Coelho e a remodelação estratégica

Em 2008, António Mota criou o cargo de CEO e convidou Jorge Coelho, antigo ministro das Obras Públicas, para assumir a liderança executiva. A decisão, polémica na altura, foi defendida pelo empresário como essencial para preparar a empresa para uma nova fase de expansão e diversificação.

Um grupo presente em três continentes

Sob a sua liderança, a Mota-Engil tornou-se um grupo internacional, presente em 21 países e três continentes (Europa, África e América), com cerca de 52 mil trabalhadores. A estratégia de diversificação incluiu concessões rodoviárias, operações portuárias, resíduos, águas e logística.

O perfil discreto e familiar

Adepto do “low profile”, António Mota valorizava os fins de semana em família e a natureza familiar da empresa. A sua gestão ficou marcada por uma visão de longo prazo e pela aposta em consolidar o grupo como uma das 25 maiores construtoras europeias.

O legado empresarial

Atualmente, a Mota-Engil tem como principais acionistas a holding da família Mota (40,19%) e a Epoch Capital Investments B.V. (32,41%), estando cotada no PSI da Euronext Lisboa. Nos primeiros nove meses de 2025, o grupo registou lucros de 92 milhões de euros, um aumento de 20% face ao período homólogo, com um volume de negócios de 4.090 milhões de euros.

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