Empate a uma bola fecha primeira volta histórica dos gilistas e deixa leões sob pressão na luta pelo título
O Gil Vicente empatou esta sexta-feira (1-1) na receção ao Sporting, em jogo da 17.ª jornada da I Liga, disputado no Estádio Cidade de Barcelos. Um golo tardio de Carlos Eduardo permitiu aos minhotos somar um ponto frente aos leões, que jogaram os últimos minutos em inferioridade numérica.
O Sporting sentiu dificuldades na primeira parte, perante um Gil Vicente bem organizado defensivamente, e praticamente não criou ocasiões claras de golo. Ainda assim, em cima do intervalo, aos 45 minutos, Luis Suárez desbloqueou o marcador, após um passe de ruptura de Eduardo Quaresma, batendo o guarda-redes Andrew com frieza. O avançado colombiano chegou assim aos 15 golos no campeonato, isolando-se na liderança da lista de melhores marcadores.
Na segunda parte, o jogo tornou-se mais aberto. O Sporting entrou melhor e esteve perto do 2-0 aos 53 minutos, quando Suárez, a passe de Trincão, não conseguiu bater Andrew num frente a frente. No minuto seguinte, o Gil Vicente respondeu com a sua melhor oportunidade até então, num cabeceamento de Tidjany Touré, após cruzamento de Zé Carlos, que obrigou Rui Silva a uma defesa de grande dificuldade.
O encontro ganhou ainda mais intensidade aos 79 minutos, com a expulsão direta de Gonçalo Inácio, que travou Gustavo Varela quando este se preparava para receber a bola em posição isolada. A jogar com mais um jogador, o Gil Vicente aumentou a pressão e acabou por chegar ao empate aos 87 minutos, num cabeceamento certeiro de Carlos Eduardo, na sequência de um cruzamento preciso de Luís Esteves, com o pé esquerdo.
Já perto do final, Joelson esteve muito perto de consumar a reviravolta, mas Rui Silva, com uma boa mancha, evitou o pior para o Sporting, num final de jogo emotivo até ao apito final do árbitro Gustavo Correia.
Com este empate, o Sporting fechou a primeira volta com 42 pontos, menos quatro do que o líder FC Porto, que ainda tem um jogo por disputar. O Benfica, também com uma partida em atraso, poderá aproximar-se do conjunto leonino. Já o Gil Vicente soma 28 pontos, um recorde absoluto do clube na I Liga, mantendo provisoriamente o quarto lugar da classificação.
César Peixoto considera que o Gil Vicente merecia vencer o Sporting
No final do encontro, César Peixoto considerou que o Gil Vicente merecia a vitória. O treinador dos gilistas destacou a atitude da equipa e a qualidade exibida ao longo dos 90 minutos. Segundo o técnico, apesar do equilíbrio na primeira parte, as melhores oportunidades pertenceram ao Gil Vicente, que acabou por ser mais perigoso no cômputo geral do jogo. César Peixoto sublinhou ainda o caráter da equipa, a excelente primeira volta realizada e garantiu que não teme uma saída em massa de jogadores no mercado de inverno, apesar da transferência de Pablo.
César Peixoto defendeu que o Gil Vicente foi a equipa mais perigosa no empate frente ao Sporting e considerou que os minhotos mereciam ter saído com a vitória do encontro. Em conferência de imprensa, o treinador dos gilistas elogiou a atitude e o carácter da equipa, sublinhando ainda a excelente campanha realizada na primeira volta da I Liga.
«Acho que fizemos um grande jogo. A primeira parte foi mais tática, aqui e ali equilibrada, mas as melhores oportunidades foram nossas. Quando estávamos por cima, o Sporting marcou», começou por analisar.
O técnico explicou ainda as alterações feitas ao intervalo: «Corrigimos, invertemos o triângulo no meio-campo e fomos mais agressivos. O Sporting teve ali dez minutos melhores na segunda parte, mas depois fomos sempre superiores. Podíamos perfeitamente ter levado daqui a vitória».
César Peixoto destacou também a identidade da equipa: «Fica a imagem de uma equipa de carácter, que joga de igual para igual, que nunca vira a cara à luta».
Questionado se o empate deixa um sentimento de frustração, o treinador foi claro: «Da forma como o jogo decorreu, sim. Jogámos contra uma grande equipa e, ao longo dos 90 minutos, acho que fomos a melhor equipa. Tirando esses dez minutos da segunda parte, fomos sempre mais incisivos».
O técnico reforçou a ideia com dados estatísticos: «Os números dizem que fomos a equipa que mais rematou».
César Peixoto lembrou ainda o desempenho global da equipa na primeira metade da temporada: «Alargámos o recorde de pontos na primeira volta da I Liga. Perdemos apenas três jogos, numa primeira volta quase irrepreensível».
Rui Borges lamenta falta de eficácia e diz que o Sporting falhou em “matar o jogo”
Rui Borges lamentou a falta de eficácia no último terço e considerou que a equipa podia ter resolvido o jogo mais cedo. O treinador destacou os bons momentos de controlo e posse de bola, mas reconheceu que a incapacidade de fazer o 2-0 permitiu ao Gil Vicente acreditar, agravada pela expulsão de Gonçalo Inácio. Nos minutos finais, admitiu, o Sporting defendeu-se mais com o coração do que com a qualidade.
Rui Borges considerou que a falta de qualidade no último terço foi determinante para o Sporting não ter conseguido vencer o Gil Vicente. Na sala de imprensa, o treinador lamentou que a equipa não tenha aproveitado os momentos em que esteve por cima para fazer o 2-0 e fechar o encontro.
Análise ao jogo
«Podíamos ter feito o 2-0 e matado o jogo, não deixando crescer o Gil Vicente», começou por afirmar. «Na primeira parte tentámos controlar o jogo e o Gil Vicente procurou sempre o contra-ataque. Conseguimos quebrar o jogo deles, bater a pressão e chegámos ao golo num ataque à profundidade, mas faltou mais qualidade no último terço, sobretudo na definição do último passe.»
O técnico sublinhou ainda o bom início da segunda parte: «Entrámos bem novamente e podíamos ter chegado ao 2-0. A partir dos 20 minutos, após algumas perdas de bola fáceis, deixámos o Gil Vicente entrar em contra-ataques e ganhar confiança».
Rui Borges reconheceu que a expulsão acabou por pesar: «A expulsão condiciona. Tentámos ajustar, mas nem tempo tivemos. Nos últimos minutos foi mais com o coração do que com a qualidade».
Posse de bola não foi problema
Questionado sobre uma eventual postura mais reativa da equipa, o treinador rejeitou essa ideia: «Tivemos 64 por cento de posse de bola. Tivemos sempre bola, conseguimos bater o bloco do Gil Vicente e controlar a largura».
Ainda assim, voltou a apontar o mesmo problema: «Faltou qualidade no último terço. Entrámos no facilitismo de ganhar espaços, perdemos bolas fáceis e permitimos contra-ataques. O Gil criou mais perigo nas bolas paradas».
Apesar do empate, Rui Borges deixou elogios ao comportamento coletivo: «A equipa esteve muito bem na reação à perda, mas em alguns momentos faltou melhorar a definição».O empate acaba por premiar a insistência do Gil Vicente e deixa o Sporting sob maior pressão na luta pelos lugares cimeiros da tabela, num campeonato que segue cada vez mais equilibrado.

































