Ventura promete discurso sem concessões na segunda volta e rejeita “generalidades”

Candidato do Chega diz que não quer agradar a todos e assume posições duras sobre ordem, valores e Estado social

O candidato presidencial apoiado pelo Chega, André Ventura, afirmou esta sexta-feira que, caso passe à segunda volta das eleições presidenciais, não irá procurar consensos fáceis nem tentar agradar a todos os eleitores. No comício de encerramento de campanha, em Lisboa, garantiu que sempre deixou claro ao que vinha e rejeitou ser “o candidato das generalidades redondas”.

“Vou dizer a verdade, doa a quem doer”

No Instituto Superior de Agronomia, perante cerca de 600 apoiantes, Ventura assegurou que manterá um discurso frontal e sem concessões. “Não vou para a segunda volta para agradar a todos. Não vou procurar pôr toda a gente contente”, afirmou, defendendo que dirá ao país que é preciso “ordem”, menos dependência de subsídios, impostos mais baixos e a afirmação de Portugal como um país de valores cristãos e europeus.

Críticas ao Estado social e posições ideológicas

Durante o discurso, o candidato voltou a criticar o Estado social, que classificou como um “bar aberto de distribuição para todos”, reiterando a intenção de o reformular profundamente. Fez ainda referências à chamada “ideologia de género”, rejeitou a construção de mesquitas em Portugal e criticou processos judiciais mediáticos, insistindo que nunca escondeu as suas posições.

“Nós dissemos ao país, à Europa e ao mundo ao que vínhamos, com clareza e sem medo”, afirmou, garantindo que não mudará de tom nem de discurso.

Referências polémicas e apelo à “ordem”

Ventura recuperou uma das declarações mais polémicas do início da campanha, quando afirmou que Portugal “precisa de três Salazares”, reiterando agora que o país precisa de “entrar na ordem”. “Hoje tenho a certeza de que tinha razão. Um André Ventura vai dar para pôr o país na ordem”, disse.

Ataques a Marcelo Rebelo de Sousa

O candidato aproveitou ainda o último discurso de campanha para criticar o atual Presidente da República, acusando Marcelo Rebelo de Sousa de ter perdido o “amor” a Portugal e à bandeira nacional. “Um Presidente que perde o amor a Portugal não merece continuar a ser Presidente”, declarou.

“Ajustar contas com a História”

Ventura defendeu que o país deve perder o medo de reconhecer erros cometidos no pós-25 de Abril e rejeitou a ideia de que isso represente uma rutura com a democracia. Admitiu, no entanto, que esse processo será difícil. “Vai doer, vai custar, mas com o tempo vamos perceber que tínhamos razão”, afirmou, sustentando que nenhuma mudança profunda acontece sem sacrifícios.

Encerramento de campanha marcado por discurso longo

Apesar de ter chegado com mais de duas horas de atraso, André Ventura proferiu o discurso mais longo da campanha, com cerca de 50 minutos. Antes da sua intervenção, o mandatário nacional da candidatura, tenente-coronel Tinoco de Faria, afirmou que o Chega combate “51 anos de mentira” e que pretende pôr “o regime em causa”, chegando a afirmar: “Vamos derrubar o regime”.

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