Militantes são suspeitos de crimes de ódio no âmbito do desmantelamento do Grupo 1143
Dois militantes do Chega que foram candidatos autárquicos em Guimarães integram a lista de 37 detidos da megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) que desmantelou o Grupo 1143, uma organização de ideologia neonazi. Os suspeitos estão indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, sobretudo em episódios dirigidos contra cidadãos estrangeiros.
De acordo com informação avançada pelo Jornal de Notícias, entre os detidos encontram-se João Peixoto Branco e Rita Castro. João Peixoto Branco foi candidato do Chega à Junta de Freguesia de Selho São Lourenço e Gominhães nas eleições autárquicas de 2021 e integrou a concelhia do partido em Guimarães. Já Rita Castro foi a número dois da lista do Chega à Câmara Municipal de Guimarães nas mesmas eleições.
A operação da PJ teve como objetivo travar atividades consideradas perigosas e prevenir crimes violentos, incluindo eventuais homicídios, associados à atuação do grupo, que, segundo as autoridades, adotava e difundia ideologia nazi. Entre os detidos encontram-se ainda elementos ligados às forças de segurança, nomeadamente um agente da PSP e um militar.
O Grupo 1143 é apontado pelas autoridades como sendo liderado por Mário Machado, figura conhecida do extremismo de direita em Portugal. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram Rita Castro ao lado de Mário Machado, reforçando a ligação entre alguns dos detidos e a liderança do movimento.
Numa publicação nas redes sociais, o jornalista Miguel Carvalho, autor do livro Por Dentro do Chega, afirma que João Peixoto Branco seria uma das principais figuras do Grupo 1143 em Guimarães. Segundo o jornalista, Peixoto Branco terá sido “o manda-chuva do 1143 em Guimarães”, mantendo proximidade com dirigentes locais do Chega, apesar de alegados desentendimentos pontuais com o partido.
As investigações continuam sob a coordenação da Polícia Judiciária, estando os suspeitos indiciados por crimes relacionados com discriminação racial, incitamento ao ódio e à violência, num processo que volta a colocar em destaque a ligação entre movimentos extremistas e a esfera política local.
































