Depressão Joseph deixa vias submersas em Arcos de Valdevez e Caminha e afeta várias habitações em Ponte de Lima
O mau tempo que se fez sentir na noite de segunda-feira provocou o corte de várias estradas nos concelhos de Arcos de Valdevez e Caminha, além de causar inundações em dezenas de habitações em Ponte de Lima, confirmaram fontes autárquicas e operacionais.
Derrocadas e vias submersas em Arcos de Valdevez
Em Arcos de Valdevez, a chuva intensa originou “muitas derrocadas”, deixando diversas vias municipais intransitáveis, adiantou à agência Lusa o presidente da câmara, Olegário Gonçalves. As autoridades estão a proceder à sinalização das estradas afetadas e a avaliar os danos.
Devido à subida rápida do caudal do rio Vez, a Estrada Municipal 505 ficou submersa, tendo um automóvel ficado preso ao tentar atravessar a via. Segundo fonte dos bombeiros, o condutor conseguiu sair em segurança, mas a viatura permaneceu no local, totalmente envolvida pela água.
“Quando o caudal baixar, regressaremos ao local para verificar se a viatura ainda se encontra lá e tentar proceder à sua remoção”, explicou a mesma fonte.
O centro histórico da vila, na zona da Valeta, voltou a ficar inundado, situação recorrente em períodos de forte precipitação. Vários acessos foram cortados, incluindo a estrada junto às piscinas municipais.
O Hotel Ribeira também registou inundações no piso do rés do chão, nomeadamente na área técnica e no parque de estacionamento, sem necessidade de evacuação de pessoas.
Estrada Nacional cortada em Caminha
No concelho de Caminha, a circulação na Estrada Nacional 301, entre Venade e Argela, foi temporariamente suspensa devido ao transbordo dos afluentes do rio Coura.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a autarquia explicou que o aumento do caudal criou condições que “não permitem a circulação em segurança”, acrescentando que a situação está a ser acompanhada pela Proteção Civil Municipal e que a via só será reaberta quando estiverem reunidas as condições adequadas.
Casas inundadas em Ponte de Lima
Em Ponte de Lima, o comandante dos bombeiros, Carlos Lima, referiu que o caudal do rio Lima continua a subir, mas sem colocar, para já, infraestruturas críticas em risco.
A maioria das ocorrências registadas durante a noite e madrugada esteve relacionada com inundações em habitações e queda de árvores. “Temos dezenas de casas atingidas pela chuva intensa”, afirmou, sublinhando que não foi necessário realojar moradores.
Rios Minho e Lima sob vigilância
Na segunda-feira à tarde, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Monção, José Passos, alertou que o rio Minho já galgou as margens, situação que poderá agravar-se devido à chuva persistente e à neve acumulada nas zonas altas que começa a derreter.
Os operacionais continuam a monitorizar a evolução do caudal, numa vigilância reforçada ao longo da fronteira natural entre Portugal e Espanha.
Centenas de ocorrências em todo o país
Portugal continental registou até às 20:00 de segunda-feira um total de 713 ocorrências associadas ao mau tempo, afetando sobretudo as regiões Norte e de Lisboa e Vale do Tejo.
Após a passagem da depressão Ingrid, o território continental começou a sentir os efeitos da depressão Joseph, caracterizada por chuva intensa, vento forte, neve e agitação marítima no Minho e no Douro Litoral.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera agravou vários avisos meteorológicos, incluindo aviso vermelho para a agitação marítima e laranja para a queda de neve, alertando para a possibilidade de novo agravamento, sobretudo ao nível do vento, nas próximas horas.































