PJ apreende propaganda extremista em Guimarães na Operação “Irmandade”

Buscas ao Núcleo de Guimarães do Grupo 1143 revelaram centenas de materiais anti-imigração e contra antifascistas, polícia e ideologia de género

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu, em Guimarães, uma grande quantidade de material de propaganda nacionalista e de extrema-direita no âmbito da Operação “Irmandade”, desencadeada a 20 de janeiro pela Unidade Nacional de Contraterrorismo. As buscas incidiram sobre a residência de um jovem casal, na freguesia de São Lourenço de Selho, apontado como responsável pelo Núcleo de Guimarães do Grupo 1143.

Os dois suspeitos foram constituídos arguidos e saíram em liberdade, ficando sujeitos à medida de apresentações semanais no posto da GNR de Guimarães. Por coabitarem permanentemente, são os únicos arguidos do processo sem proibição de contacto entre si, conforme previsto no Código de Processo Penal.

Centenas de autocolantes e mensagens de ódio

Segundo informação recolhida pela PJ, na residência foram apreendidos centenas de autocolantes e outros materiais de propaganda, tanto alusivos ao Grupo 1143 como contendo mensagens anti-imigração, contra antifascistas, contra a polícia, pedófilos e ideologia de género. A descrição do material confiscado terá ocupado dez páginas A4 no auto da diligência.

Arguidos com passado político

Os arguidos são Ana Rita Freitas Castro e João Alberto Peixoto Branco, ambos com anteriores ligações políticas ao partido Chega. Ana Rita Freitas Castro foi candidata à Câmara Municipal de Guimarães e deputada à Assembleia da República, enquanto João Alberto Peixoto Branco concorreu à presidência da União de Freguesias de São Lourenço e Gominhães.

Operação visou liderança e estrutura do grupo

A Operação “Irmandade” teve como alvo a cúpula, dirigentes e principais operacionais do Grupo 1143, tendo incluído também uma busca à cela de Mário Machado no Estabelecimento Prisional de Alcoentre, onde se encontrava detido à data.

Advogado critica transferência de Mário Machado

Entretanto, o advogado José Manuel de Castro, defensor de Mário Machado, criticou publicamente a transferência do seu constituinte de Alcoentre para a Ala de Alta Segurança do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, afirmando que o líder do Grupo 1143 “corre perigo de vida” no novo local.

Segundo o advogado, a decisão terá sido baseada num relatório interno da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, sustentado em notícias de imprensa, o que considera inadmissível num Estado de Direito. José Manuel de Castro anunciou que está a preparar um recurso para o Tribunal de Execução das Penas de Lisboa, visando anular a transferência.

O defensor sustenta ainda que Mário Machado está isolado durante 22 horas por dia, numa cela de oito metros quadrados, sem que exista, no seu entender, fundamento objetivo para tal medida, sublinhando que não está indiciado por crimes de terrorismo, nem protagonizou incidentes disciplinares no estabelecimento prisional.

A investigação da PJ prossegue.

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