Junta da Galiza admite atraso face às metas de 2030-2032
A ligação ferroviária de alta velocidade entre Porto, Braga e Vigo poderá sofrer um atraso significativo e só ficar concluída em 2038, segundo admite a Junta da Galiza.
A posição surge uma semana depois de responsáveis portugueses e galegos defenderem a conclusão da infraestrutura até 2032. Contudo, o governo regional galego considera que esse horizonte é inviável, apontando atrasos nas obras da Saída Sul de Vigo e no troço entre O Porriño e a fronteira portuguesa, bem como a necessidade de negociação bilateral para a construção e financiamento de uma nova ponte internacional.
Governo galego aponta responsabilidades a Madrid
Em esclarecimento posterior, a Junta da Galiza sublinhou que o que está em causa é o incumprimento de compromissos assumidos pelo Governo de Espanha.
Segundo o executivo liderado por Alfonso Rueda, os atrasos e trâmites pendentes tornam impossível cumprir a previsão inicial de chegada da alta velocidade a Portugal em 2032 — e ainda menos o anúncio posterior que apontava para 2030.
A Junta contrapõe ainda que, do lado português, existe maior clareza política, citando o compromisso assumido pelo presidente da Câmara do Porto em avançar com a infraestrutura em território nacional.
Eixo Atlântico exige divulgação do estudo
A reação do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular foi imediata. O secretário-geral, Xoán Mao, solicitou com urgência que seja tornado público o estudo técnico que fundamenta a previsão de adiamento para 2038.
Segundo o responsável, os dados do Eixo Atlântico apontam apenas para um desfasamento de cerca de dois anos, relacionado com o Estudo Informativo Prévio da Saída Sul de Vigo e a reformulação da estação de Vila Nova de Gaia — muito distante dos 12 anos agora sugeridos pelo governo galego.
Xoán Mao considerou “inaceitável” a divulgação de datas alarmistas sem apresentação pública do estudo, alertando para o risco de gerar desânimo e confusão entre os cidadãos.
Projeto estratégico para o Noroeste Ibérico
A ligação Porto–Braga–Vigo integra o eixo estratégico Lisboa–Ferrol, defendido há vários anos como fundamental para a mobilidade e integração económica do Noroeste Peninsular.
O debate sobre prazos e financiamento reacende a discussão política entre administrações regionais e governos centrais, num projeto considerado estruturante para Portugal e Espanha, tanto ao nível da competitividade como da coesão territorial.
































