Sánchez evoca “trio dos Açores” e deixa aviso a Trump: “Não à guerra”

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, reiterou esta quarta-feira a oposição do seu Governo à operação militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel, deixando uma mensagem direta a Donald Trump: “Não à guerra”.

Numa declaração transmitida na televisão nacional, horas depois de Washington ter anunciado represálias comerciais contra Espanha por não autorizar o uso das suas bases militares, Sánchez foi taxativo:

“Não à quebra do Direito Internacional. Não ao assumir que o mundo pode resolver os seus problemas à base de conflitos de bombas. E finalmente, não ao repetir os erros do passado. Em definitivo, a posição do Governo de Espanha resume-se em quatro palavras: não à guerra.”

O líder do executivo espanhol defendeu que a posição não é ingénua, mas coerente com os valores do país e com o respeito pelo direito internacional, sublinhando que Espanha não será “cúmplice de algo que é mau para o mundo”.

A memória do Iraque e o “trio dos Açores”

Sánchez recordou a guerra do Iraque, decidida em 2003 após a Cimeira das Lajes, nos Açores, que juntou George W. Bush, Tony Blair e José María Aznar, na Base das Lajes, na ilha Terceira.

Segundo o primeiro-ministro espanhol, essa intervenção — justificada à época pela alegada existência de armas de destruição maciça no Iraque — acabou por ter o efeito contrário ao pretendido.

“Este foi o presente que tivemos do trio dos Açores: um mundo mais inseguro e uma vida pior.”

Sánchez afirmou que, 23 anos depois, Espanha não deve repetir o que considera terem sido erros estratégicos graves, lembrando que o conflito no Iraque não trouxe maior segurança global nem uma ordem internacional mais justa.

Apelo ao fim das hostilidades

Sem antecipar as possíveis consequências de um eventual alargamento do conflito no Médio Oriente, o chefe do Governo espanhol garantiu que o país está “contra este desastre” e exigiu que Estados Unidos e Israel cessem as hostilidades.

Para Sánchez, envolver-se militarmente não trará mais estabilidade internacional, nem melhorias concretas para os cidadãos, como “salários mais altos” ou “melhores serviços públicos”, reforçando assim a posição oficial de Madrid de afastamento de qualquer participação no conflito.

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