Escritor dedicado à literatura a tempo inteiro desde 1985, deixou uma obra que marcou várias gerações e foi frequentemente apontado como candidato ao Nobel da Literatura
O escritor António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, aos 83 anos. Nascido em Lisboa, a 1 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1969 e especializou-se em Psiquiatria, profissão que exerceu no Hospital Miguel Bombarda antes de se dedicar integralmente à escrita, em 1985.
Início de uma carreira literária marcada
A estreia literária de Lobo Antunes ocorreu em 1979 com o livro “Memória de Elefante”, a que se seguiram obras como “Os Cus de Judas” (1979), “Conhecimento do Inferno” (1980) e “Explicação dos Pássaros” (1981). Estas primeiras obras foram profundamente influenciadas pela experiência da Guerra Colonial e pelo exercício da Psiquiatria, consolidando-o rapidamente como um dos autores mais lidos em Portugal.
Ao longo da carreira, publicou mais de três dezenas de romances, cerca de metade nos últimos 25 anos, e foi frequentemente apontado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.
Homenagens e reações oficiais
A editora Dom Quixote lamentou a perda e comprometeu-se a continuar a promover a obra do escritor, destacando a importância de António Lobo Antunes para a literatura portuguesa e internacional:
“Foi com profunda tristeza, e ainda a recuperar do choque, que recebemos a notícia da morte de António Lobo Antunes, nome maior da literatura portuguesa. Continuaremos a trabalhar e a promover a sua obra, cuja importância ultrapassou fronteiras.”
O recém-eleito Presidente da República, António José Seguro, escreveu no Instagram que recebeu a notícia com “enorme tristeza”, descrevendo Lobo Antunes como “um escritor de rara coragem intelectual, capaz de transformar a experiência individual e colectiva em literatura de grande fôlego.”
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, qualificou o legado do escritor como “uma crónica da humanidade”, acrescentando que continuará a inquietar e inspirar e destacando a originalidade do olhar português do autor.
A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, referiu que Lobo Antunes foi “um escritor maior e intérprete sensível da condição humana”, deixando um legado brilhante e inesquecível. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, descreveu-o como “vulto maior da literatura portuguesa e embaixador da língua portuguesa.”
O clube de futebol SL Benfica também prestou homenagem ao autor, recordando-o como “um dos mais ilustres adeptos do Clube” e destacando a ligação afetiva do escritor ao Benfica, lembrando as suas referências à Guerra Colonial e à importância do futebol na sua obra:
“Enquanto o Benfica jogava, não havia guerra”, afirmou o clube em comunicado.
A Ordem dos Médicos manifestou pesar pela perda, destacando que Lobo Antunes honrou tanto a Medicina como a Cultura.
Carreira premiada
Ao longo da sua carreira, António Lobo Antunes recebeu diversos prémios literários em Portugal, incluindo:
- Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus (1999, por Exortação aos crocodilos)
- Prémio Fernando Namora (2004, por Boa tarde às coisas aqui em baixo)
- Prémio Alberto Pimenta de carreira, do Clube Literário do Porto (2008)
- Prémio Autores (2010, por Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar)
- Prémio Literário Fundação Inês de Castro (2023, por O tamanho do mundo)
O Governo português decretou luto nacional para este sábado, em homenagem a um dos maiores escritores da literatura contemporânea portuguesa, cuja obra continuará a inspirar leitores em Portugal e no mundo.



































