Marcelo despede-se do Governo de Montenegro: “Fomos felizes e sabíamos”

Marcelo despede-se do Governo de Montenegro

Presidente da República presidiu ao último Conselho de Ministros em São Bento e destacou cooperação institucional durante um período marcado por crises internacionais

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presidiu esta quinta-feira ao seu último Conselho de Ministros ao lado do Governo liderado por Luís Montenegro. No final da reunião, realizada em São Bento, ambos fizeram declarações aos jornalistas, num momento marcado por palavras de reconhecimento e despedida.

Durante a intervenção, o chefe de Estado destacou a relação institucional e pessoal mantida com o Governo e resumiu os últimos anos de colaboração com uma frase simbólica: “Fomos felizes e sabíamos.”

Reconhecimento mútuo entre Presidente e Governo

Antes das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro começou por lamentar a morte do escritor António Lobo Antunes, assinalando o impacto cultural do autor.

Luís Montenegro explicou ainda que a reunião do Conselho de Ministros incluiu a análise da situação geopolítica internacional, bem como a evolução e preparação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Em nome do Governo, o primeiro-ministro deixou um agradecimento ao Presidente da República, sublinhando o espírito de cooperação institucional ao longo do mandato.

“Temos um reconhecimento e gratidão enormes pelo espírito de colaboração e cooperação institucional. O Presidente teve contacto permanente comigo e com o Governo, sempre com espírito de serviço nacional e de salvaguarda do interesse dos portugueses”, afirmou.

Montenegro: “Fomos felizes e fomos eficazes”

Luís Montenegro recordou também uma expressão usada anteriormente por Marcelo Rebelo de Sousa quando se referiu ao período de governação de António Costa — “éramos felizes e não sabíamos”.

A partir dessa frase, o primeiro-ministro deixou uma nota em tom bem-disposto sobre a relação com o chefe de Estado.

“Gostaria de dizer que, neste período, fomos felizes e fomos eficazes, porque convivemos com espírito de amizade, solidariedade e serviço à pátria, ao mesmo tempo que resolvíamos problemas e antecipávamos desafios”, afirmou.

Marcelo: cooperação num período difícil

Na sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa destacou que a cooperação com o Governo foi “estratégica e permanente”, num período que classificou como particularmente difícil no contexto internacional.

O Presidente lembrou que quando o atual Governo tomou posse já decorria a guerra na Ucrânia, acrescentando que os últimos anos foram marcados por várias crises internacionais.

“Decorreu num período muito difícil no mundo. Se somarmos o que aconteceu com este e com o anterior Governo, encontramos várias crises internacionais”, afirmou.

Segundo Marcelo, governar tornou-se cada vez mais complexo devido à rapidez com que surgem novos desafios políticos e económicos.

“Espera-se a aproximação da paz e é a guerra que acontece. Hoje é cada vez mais difícil e complexo governar”, sublinhou.

Um novo ciclo na vida política portuguesa

O Presidente da República considerou ainda que Portugal atravessa um momento de mudança política, referindo que se encerra um ciclo de cerca de 50 anos da democracia portuguesa.

Marcelo destacou também que novos protagonistas começam agora a marcar a vida política nacional, mencionando a tomada de posse de António José Seguro prevista para a próxima semana.

“Há um virar de página na vida portuguesa”, afirmou.

Lusofonia e diáspora portuguesa

Durante a intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa voltou ainda a sublinhar a importância da lusofonia, tema que considera central na política externa portuguesa.

O chefe de Estado recordou que o português é uma das línguas mais faladas no mundo e uma das principais línguas do hemisfério sul, destacando também o papel da diáspora portuguesa.

“Temos uma das cinco línguas mais faladas no mundo e uma das duas mais faladas no hemisfério sul. É uma responsabilidade enorme”, afirmou.

“Fomos felizes e sabíamos”

Na despedida, Marcelo recordou os seus dez anos de mandato presidencial, durante os quais trabalhou com diferentes governos.

“Os outros oito anos antes já defini: ‘Éramos felizes e não sabíamos’. Aqui definiria: ‘Fomos felizes e sabíamos’. São duas situações complementares, ambas gratificantes”, concluiu.