Manifestação convocada pela plataforma Casa para Viver decorre em 16 cidades e exige medidas urgentes contra a crise habitacional
Braga é hoje uma das 16 cidades portuguesas que saem à rua em defesa do direito à habitação, numa mobilização nacional promovida pela plataforma Casa para Viver, que espera reunir milhares de participantes.
Sob o lema “Já não dá”, o protesto conta com o apoio de cerca de 90 associações, coletivos, cooperativas e sindicatos, que denunciam o agravamento dos preços da habitação e a crescente dificuldade das famílias em suportar rendas ou prestações bancárias.
Os manifestantes alertam que “já não dá para ter casas entre as mais caras da Europa” e criticam a discrepância entre salários e custos habitacionais, além de denunciarem despejos de “bairros inteiros sem alternativas”.
Entre as principais reivindicações estão o aumento da oferta de habitação pública, a regulação dos preços das rendas e medidas para travar a especulação imobiliária e o impacto do turismo no mercado habitacional.
A plataforma já fez chegar uma carta aberta ao Presidente da República, António José Seguro, apelando a que a crise da habitação seja tratada como uma “emergência nacional”, conforme previsto no artigo 65.º da Constituição.
Entre as propostas defendidas estão ainda o congelamento das prestações do crédito à habitação, contratos de arrendamento com duração mínima de 10 anos e o veto a eventuais alterações à lei dos despejos.
As críticas estendem-se também às recentes medidas aprovadas pelo Governo em Conselho de Ministros, que visam acelerar processos de despejo e resolver bloqueios em heranças indivisas. A plataforma considera essas alterações “irresponsáveis”, por penalizarem os mais afetados pela crise.
Além de Braga, os protestos decorrem em cidades como Lisboa, Porto, Coimbra e Faro, num movimento que volta a colocar a habitação no centro do debate político e social em Portugal.

































