Compasso pascal volta a cruzar o rio Homem e mantém viva tradição única em Amares

Na terra de António Variações, multidão juntou-se para assistir à emblemática travessia que une São Pedro e São Bento

A tradição voltou a cumprir-se esta segunda-feira em Fiscal, freguesia de Amares, onde centenas de pessoas se reuniram nas margens do Rio Homem para assistir a um dos momentos mais emblemáticos da Páscoa na região: a travessia do compasso pascal em barcas.

Nesta localidade, conhecida por ser terra natal de António Variações, o compasso mantém características únicas que o distinguem de outras paróquias. Ao todo, são cinco barcas que transportam os compassos e a banda de música, numa travessia simbólica que liga os lugares de São Pedro e São Bento.

Ao contrário do habitual, esta tradição não se realiza no domingo de Páscoa, mas sim na segunda-feira — uma alteração introduzida por um antigo pároco da freguesia, que, devido à acumulação de paróquias, decidiu ajustar o calendário. Com o tempo, essa mudança enraizou-se e tornou-se parte integrante da identidade local.

Outro elemento singular prende-se com a conservação das embarcações. Construídas em pinheiro manso, as barcas permanecem submersas no fundo do rio durante grande parte do ano. Este método tradicional evita que a madeira seque e rache devido à exposição solar, garantindo assim maior durabilidade e segurança.

Ano após ano, o compasso de Fiscal continua a atrair fiéis e curiosos, afirmando-se como um dos mais autênticos e preservados testemunhos das tradições pascais do Minho.

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