Circular Externa de Braga gera tensão política: atraso no protocolo com o Estado divide Câmara e oposição

Cidade de Braga

João Rodrigues garante que financiamento de 80 milhões está assegurado e diz confiar na “palavra do ministro”; oposição acusa falta de prazos e planeamento

O atraso na formalização do acordo com o Estado para a construção da Circular Externa de Braga está a gerar crescente tensão política no município, com críticas da oposição e garantias de confiança por parte do presidente da Câmara, João Rodrigues.

O projeto da nova via estruturante, que pretende retirar cerca de 60% do trânsito de atravessamento do centro urbano, voltou a marcar a última reunião do executivo bracarense, com a oposição a exigir esclarecimentos sobre o atraso superior a dois meses na assinatura do protocolo com o Governo.

A ausência do documento oficial contrasta com o anúncio feito em janeiro, quando o autarca revelou, após reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, um compromisso de financiamento estatal na ordem dos 80 milhões de euros e apontou para uma rápida formalização do acordo.

“Prometer como nunca, adiar como sempre”: oposição critica atrasos

Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, criticou o que considera ser um padrão de atrasos na concretização de projetos estruturantes, lamentando a falta de evolução no processo.

“Isso é uma escola que já vem de mandatos anteriores: promete-se muito, mas depois as coisas demoram muito mais tempo do que era esperado para se concretizar”, afirmou.

Também o Partido Socialista pediu explicações mais detalhadas sobre o andamento do processo. Pedro Sousa alertou para a falta de informação concreta sobre prazos e execução.

“Esperamos que, a breve trecho, o senhor presidente da câmara tenha mais explicações e um enquadramento mais maduro para nos apresentar”, referiu.

Presidente garante financiamento e desvaloriza atraso

Perante as críticas, João Rodrigues rejeitou qualquer cenário de alarme, assegurando que o compromisso financeiro está garantido e que o projeto já está a ser trabalhado por equipas técnicas em articulação com várias entidades.

“A resposta é que o governo vai pagar a variante. A questão é a assinatura do protocolo. Nós ainda não tivemos a oportunidade de o assinar”, afirmou.

O autarca reforçou ainda que não atribui especial importância ao atraso na formalização do documento.

“Não me preocupa muito o prazo do protocolo. Eu tenho a palavra do ministro das Infraestruturas e para mim chega”, sublinhou.

Câmara avança com investimento de 20 milhões em estradas

Paralelamente ao projeto da Circular Externa, o município anunciou um plano de repavimentação de vias no valor de cerca de 20 milhões de euros, duplicando a previsão inicial.

Segundo o presidente da Câmara, o aumento do investimento deve-se à degradação da rede viária provocada pelo inverno rigoroso, estando já identificadas mais de 60 intervenções em todo o concelho.

Entre as obras previstas estão intervenções em artérias centrais como as avenidas Miguel Torga, Doutor Francisco Salgado Zenha e 31 de Janeiro, bem como nos largos Conde de Agrolongo e da Estação.