Grupo de 18 arguidos usava falsas mensagens bancárias para enganar vítimas em todo o país
Uma alegada rede criminosa composta por 18 pessoas — nove mulheres e nove homens, muitos deles familiares — é suspeita de ter burlado cerca de um milhão de euros através de esquemas de “phishing”, com atuação em todo o país, incluindo Braga e Barcelos.
O grupo começa a ser julgado esta segunda-feira no Tribunal de São João Novo, no Porto, enquanto os processos relativos aos crimes mais recentes no Minho continuam a ser preparados pelos respetivos departamentos do Ministério Público.
A investigação, conduzida pela Polícia Judiciária, levou ao desmantelamento da rede em junho de 2024, no âmbito da “Operação E-Phishing”, inicialmente focada na região Centro e posteriormente alargada ao Norte.
Segundo as autoridades, o esquema passava pelo envio de mensagens fraudulentas em nome do Banco de Portugal, da Caixa Geral de Depósitos e do Novo Banco. As vítimas eram depois contactadas por telefone por elementos do grupo — maioritariamente mulheres — que se faziam passar por funcionárias bancárias.
Com recurso a dados previamente obtidos, os suspeitos convenciam clientes, particulares e empresas, de que as suas contas estavam sob ataque informático, levando-os a aceder a links falsos onde introduziam códigos de acesso.
A partir desse momento, o grupo realizava transferências rápidas para contas controladas por “testas de ferro”, fazendo o dinheiro circular por várias contas em poucos minutos, dificultando o rastreio e a recuperação dos valores.
O Ministério Público aponta como líder da rede Vítor Hugo dos Santos, conhecido por “HS”, que terá organizado a atividade a partir de uma moradia em Vila Nova de Gaia, com o apoio direto de familiares próximos.
Seis dos arguidos encontram-se em prisão preventiva, estando todos acusados de associação criminosa e burla informática. As autoridades estimam ainda um património incongruente de cerca de 870 mil euros associado ao grupo.
O caso expõe a dimensão crescente das burlas digitais em Portugal e reforça o alerta das autoridades para este tipo de fraude, que continua a fazer vítimas em larga escala.
































